Pernambuco

Quatro médicos, cinco fisioterapeutas, um vereador e um policial civil são presos por fraudes no seguro DPVAT em Pernambuco

Quatro médicos, cinco fisioterapeutas, um vereador e um policial civil fazem parte da lista de 19 pessoas presas suspeitas de integrar um grupo especializado em fraudes de boletins de ocorrências e laudos de saúde para obter indenizações do DPVAT, o Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito, que foi suspenso no final de 2023. 

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Pernambuco resultaram na Operação Sinistro, deflagrada na quinta-feira (14), que também cumpriu 19 mandados de busca e apreensão no Estado e na Paraíba e em São Paulo.

O esquema começou a ser investigado a partir de 2021 após o Ministério Público receber uma denúncia anônima e solicitar apuração da Polícia Civil. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato. 

“O grupo identificava vítimas de sinistros de trânsito, vivas ou mortas. Algumas delas recebiam ligações ainda no hospital, porque esses suspeitos tinham acesso aos prontuários por meio de WhatsApp e, se passando por advogados, perguntavam se aqueles pacientes não queriam ingressar com ação para ter direito aos valores do seguro DPVAT. As informações eram obtidas em hospitais públicos”, explicou a delegada Viviane Santa Cruz, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (15).

Intermediários recrutavam vítimas, providenciavam a documentação e protocolavam os requerimentos junto a uma seguradora, retendo parte dos valores pagos.

“As fraudes começavam a partir dos boletins de ocorrência, que eram registrados em Glória do Goitá. Havia casos de sinistros de trânsito que ocorriam a mais de 200 quilômetros de distância e, mesmo assim, os registros eram feitos nesse município, o que chamava muito a atenção”, disse a delegada.

Com os laudos falsos, as seguradoras eram obrigadas a pagar as indenizações. O grupo, segundo a investigação, chegava a ficar com até 60% dos valores.

A Polícia Civil identificou que o esquema existia pelo menos desde 2016. Avalia-se um prejuízo de mais de R$ 2 milhões.

Os mandados foram cumpridos nas seguintes cidades:

  • Recife;
  • Arcoverde;
  • Belo Jardim;
  • Brejo da Madre de Deus;
  • Cachoeirinha;
  • Carpina;
  • Gravatá;
  • Limoeiro;
  • Paudalho;
  • Riacho das Almas;
  • Santa Cruz do Capibaribe;
  • Santos (SP);
  • Cabedelo (PB).

Marcelo Passos

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