Imagem incluída em processo judicial mostra curso de tiro oferecido por Paulo Bilynskyj dentro do seu 'Projeto Policial' com a participação de criança; havia um menino de 11 anos e outro de 17 anos no treinamento. Foto: Reprodução
O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), integrante da bancada da bala da Câmara dos Deputados, foi excluído do clube de tiro do qual era um dos donos depois de ser acusado de enganar sócios, promover curso de tiro com a presença de crianças e permitir acesso de pessoas não autorizadas ao cofre de armas do estabelecimento.
O parlamentar entrou numa briga com os antigos sócios da Puma Tactical, clube localizado em São Paulo, que foi parar na Justiça. A decisão judicial mais recente foi contra Bilynskyj e determinou sua retirada da empresa. O cumprimento da determinação está registrado na Junta Comercial de São Paulo.
Procurado, a assessoria de Bilynskyj disse que os sócios “se aproveitaram da imagem do parlamentar para alavancar o negócio” e que eles não pagaram valor de quotas que eram devidas. Sustentou ainda que a Justiça está para definir o valor a que ele tem direito por ter deixado a empresa.
Sobre os menores de idade, ele afirma que “nunca houve qualquer irregularidade”. “As crianças aparecem em fotos durante a reunião final do curso, em um momento de confraternização, na qual a mãe deles estava presente. Portanto, não houve nenhuma irregularidade”, diz Bilynskyj.
Contudo, em depoimento à polícia, a mãe dos rapazes confirmou que levou os filhos, de 16 e 12 anos, e que o adolescente participou, sim, da instrução oferecida por Bilynskyj a um custo de R$ 1,4 mil por pessoa. A reportagem teve acesso às declarações prestadas pela mulher.
O deputado promoveu, em janeiro de 2022, um curso de prática de tiro chamado de “projeto policial”. Entre os alunos havia dois menores de idade, o que só poderia ocorrer sob determinadas circunstâncias.
Àquela altura, já valiam os efeitos de uma decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). A participação de menores de 18 anos em prática de tiro só poderia ser realizada mediante autorização judicial, de forma que só o aval de pais e responsáveis não era suficiente.
O caso virou alvo de apurações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da corregedoria da Polícia Civil daquele Estado, uma vez que o deputado é delegado da instituição. Os sócios acabaram sendo intimados a prestar esclarecimentos no âmbito dessas apurações. O deputado informa que inquérito para investigar o caso já foi arquivado.
Imagem incluída em processo judicial mostra curso de tiro oferecido por Paulo Bilynskyj dentro do seu ‘Projeto Policial’ com a participação de criança; havia um menino de 11 anos e outro de 17 anos no treinamento. Foto: Reprodução
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