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Cotidiano

Uso de cocaína alavanca auxílios-doença

De acordo com dados do INSS, houve um ‘boom’ no consumo da droga e também de álcool entre os trabalhadores.

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Pela primeira vez em 22 anos, o gerente em sistemas de informação Fernando (nome fictício), de 36 anos, está sem trabalhar. Ele era coordenador em uma empresa de energia até ser demitido há quatro meses por causa da dependência de álcool e cocaína. Sua história reflete como o uso de álcool e drogas tem impactado cada vez mais a vida de trabalhadores brasileiros.

Dados do Instituto Nacional o Seguro Social (INSS) mostram que, de 2009 a 2013, ouve uma explosão no consumo de cocaína no País e dos indices de afastamento de trabalhadores, principalmente no Norte e Nordeste, devido ao problema. O número de auxílios-doença por alcoolismo ou dependência química cresceu mais de 50% em nove estados brasileiros e no Distrito Federal este período. Amapá, Pernambuco, Goiás, Paraíba, Distrito Federal, Pará, Ceará e ato Grosso lideram o aumento dos pedidos de afastamento.

São casos por uso de álcool, cocaína e seus derivados, como crack e merla, e pela mistura de drogas. Desde 2009, afastamento pelo uso dos diferentes tipos de entorpecentes feitos com cocaína cresceu 4,6% no Brasil. O levantamento não diferencia cocaína, crack e merla. Os auxílios por consumo de múltiplas drogas aumentaram 67,3% e 19,6% devido ao consumo de álcool.

Alagoas foi o único estado a ser queda na concessão de auxílio. Segundo o INSS, o motivo foi a queda nos casos de depressão em decorrência do uso de drogas, que também dá direito ao benefício. Informações do FolhaPE.

[veja_tambem]O auxílio-doença é concedido a trabalhadores segurados elo INSS, que não perdem o emprego ao se ausentar. Para pedir o benefício, é preciso comprovar por meio de perícia médica a impossibilidade de exercer a função em razão do uso de drogas. Uma vez que o benefício é dado, não há prazo máximo para o encerramento de sua utilização.

De 2009 até o mês passado, o Governo Federal já gastou mais de R$ 206 milhões com auxílios-doença para viciados em toda a federação. O INSS forneceu os dados, mas não quis comentá-los.

De acordo com o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas, o aumento maior do problema em estados do Norte e Nordeste ocorreu porque uma rede de distribuição da droga se instalou nos últimos anos na região. “Não teve investimento em prevenção e, com o vácuo da política, quem prevaleceu foram pequenos traficantes”.

Saiba mais

Aquisitivo – O psiquiatra da Universidade de São Paulo e do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, Arthur Guerra, afirma que o crescimento do uso de entorpecentes também é puxado pelo aumento do poder aquisitivo no Brasil. Os especialistas dizem, no entanto, que os problemas de vício com álcool e drogas não têm uma única causa e se devem a históricos de cada indivíduo e ao contexto social.

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