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Uma curva que o Brasil chora há 20 anos

Vinte anos de saudade. Relembre a carreira de Ayrton Senna

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Ayrton Senna da Silva não foi um só. E isso não é demérito nenhum para a imagem de um dos maiores desportistas da história, cujo desaparecimento completa 20 anos neste 1º de maio. Ele sabia ser vários: o homem tímido que não falava de sua vida pessoal, o piloto que porejava talento nas pistas, o competidor ambicioso que não tinha limites para vencer e não reconhecia outro objetivo que não fosse chegar em primeiro, o negociador implacável que levava dirigentes de equipes à loucura para acertar contratos, o homem de uma fé que quase o cegava. O ídolo carismático, que ao morrer provocou uma das maiores comoções coletivas já vistas no Brasil.

Ayrton Senna já havia tentado se transferir para a vitoriosa Williams em 1993, mas uma cláusula no contrato do francês Alain Prost impedia o brasileiro na equipe

E Senna nem precisava correr tantos riscos a 300 quilômetros por hora, menos de 20 centímetros do chão num apertado e desconfortável cockpit que machucava suas mãos a cada virada no volante. Seu pai, Milton, já era um empresário bem sucedido quando o filho do meio começou a dar os primeiros passos no automobilismo a bordo de um kart, justamente construído pelo pai com motor de cortador de grama. Amante de carros e velocidade, provavelmente foi gene paterno que marcaria para sempre Ayrton.

O menino, que infância também respondia pelo apelido de Beco, não precisava daquilo, mas quando se tem gasolina nas veias é difícil mudar o destino. Já estava tudo formado e se o mundo dos negócios perdeu um candidato a poderoso empresário, o esporte ganhou um mito. Apesar de dirigir desde os nove anos só começou a competir no kart aos 13. Foi campeão brasileiro e sul-americano. No mundial bateu na trave duas vezes, o que para aquele adolescente com um apetite incomum para vitórias não significou muita coisa. Como ele diria mais tarde: “Vencer é o que importa. O resto é consequência”.

A aurora da década de 1980 viu Senna deixar os carrinhos e começar sua vida nos carrões. E as conquistas não paravam. Ganhou na Inglaterra e Europa em todas as categorias: Fórmula Ford 1.600 e 2000 e Fórmula 3 inglesa. Nesta última foi campeão em 1983 com 13 vitórias, nove delas consecutivas. Foi nessa época que a imprensa britânica passou a chamar o circuito de Silverstone de Silvastone, em alusão ao sobrenome do brasileiro e suas incontáveis lugares mais elevados no pódio.

Tantos triunfos chamaram a atenção da Fórmula 1. Destino, aliás, que era inevitável. Uma Williams seria o primeiro carro da categoria mais nobre do automobilismo que ele pilotaria e, profeticamente seria o último. McLaren, Brabham, que contava no seu time com o então bicampeão Nelson Piquet e Toleman seriam as outras três. Ficou na Toleman, onde estrearia em 1984. Na segunda corrida, Senna marcaria seu primeiro ponto logo na segunda corrida, em Kyalami, África do Sul. Foi neste ano que ele deixou de largar uma única vez por não ter conseguido tempo – era assim que rezava a regra na época.

WILLIAMS E O FIM

Senna queria um carro competitivo para 1994 e sem Prost na Williams o caminho estava livre. Ele finalmente seria piloto do primeiro carro que dirigira na Fórmula 1. Mas, por ironia do destino, “o carro de outro planeta” ao qual ele se referia sequer chegava nas nuvens. A Williams não tinha equilíbrio, oscilava perigosamente nas curvas e, para completar, a Benetton entrava com toda força na competição, coisa que ensaiava nos dois anos anteriores. Com uma máquina inferior, Senna passava a repetir o que fizera nas vacas magras da McLaren: dava tudo no treino para conseguir alguma vantagem na corrida. Foi assim que ele fez a pole no Brasil. Mas teve problemas e abandonou na 55ª volta. A segunda corrida seria o GP do Pacífico, no Japão. Desta vez foi pior. Mesmo com a pole, o brasileiro foi tocado por Mika Hakkinen ainda na primeira curva e saiu.

Sem pontos na terceira corrida, a pressão era enorme. Novamente ele ficou com a pole, a 65ª. Mas o fim de semana começou tenso com um grave acidente do brasileiro Rubens Barrichello na sexta-feira. Ele já reclamava que as condições de segurança deveriam ser revistas, pois todos os equipamentos eletrônicos foram banidos para aquela temporada, mas a potência dos carros não diminuiu. A conta era fácil de fazer: menos recursos, potência em alta, risco maior de acidentes.

As coisas pioraram no sábado. Na curva Tamburello, o austríaco Roland Ratzemberger perdeu a asa traseira do carro. Perdeu o controle bateu violentamente na curva seguinte, a Villeneuve. Foi levado ao Hospital Maggiore, em Bolonha, mas morreu oito minutos depois. Na hora da corrida, a nuvem cinzenta continuava sobre a pista. Na largada, J.J. Letho perdeu o motor da Benetton e foi atingido na parte traseira do carro. O safety car entrou na pista e a prova foi reiniciada. Em primeiro lugar, Senna acelerava para evitar o assédio de Schumacher e na sétima volta seu carro bateu a cerca de 200 km/h no muro da Tamburello.

O brasileiro foi atendido ainda na pista e depois levado de helicóptero ao Hospital de Bologna. Às 18h05, horário italiano, foi declarada sua morte cerebral. Uma hora depois, a morte clínica. A explicação é que uma barra da suspensão dianteria perfurou a viseira e atingiu a parte frontal da cabeça, pressionando-a contra a parte de trás do cockpit. A barra atingiu a artéria temporal e o impacto uma fratura na base do crânio. Com a perda de sangue e massa cinzenta não havia nenhuma intervenção que pudesse reparar o dano. O restante do corpo de Ayrton estava intacto.

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