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Cotidiano

Réus do ‘caso do vaso sanitário no Arruda’ são condenados a mais de 20 anos de prisão

Júri popular dos três réus do caso começou por volta das 9h40, no Recife

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Sob forte apelo popular e comoção de familiares envolvidos, um duro golpe foi desferido na barbárie que assombra o nosso futebol. Após longas horas de embate entre acusação e defesa, pela primeira vez um crime cometido numa praça esportiva tem uma punição severa e exemplar. Em julgamento histórico, realizado no Fórum Rodolfo Aureliano, o trio acusado de matar o torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, no dia 2 de maio do ano passado, foi condenado pelo assassinato e por mais três tentativas de homicídio, referentes a outras três vítimas atingidas pelos estilhaços das privadas arremessadas. A defesa não conseguiu derrubar os dois elementos qualificadores (motivo fútil e sem chance de defesa para as vítimas) e Éverton Felipe pegou 28 anos; Luiz Cabral, 25 anos e 7 meses; e Waldir Firmo, 22 anos e 6 meses em regime fechado, que serão cumpridos no presídio Barreto Campelo.

Iniciada por volta das 9h30, com meia hora de atraso, a sessão contou inicialmente com a apresentação da tese da acusação, representada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Os promotores Roberto Brayner e Dalva Cabral utilizaram cerca de 2h10 das 2h30 a que tinham direito. Entre as provas apresentadas, depoimentos, vídeos e fotos do trajeto do crime, que foi de pouco mais de cem metros. Segundo eles, isso é o suficiente para provar que houve tempo de análise e a intenção de matar. “Quem arranca um objeto de 15 quilos, faz todo um esforço para carregá-lo por mais de 100 metros e o joga em direção de várias pessoas só pode ter uma intenção: matar. E se trata de um dolo direto e não eventual” argumentou Brayner, para explicar. “Um motorista alcoolizado é um dolo eventual, pois ele assume o risco. Neste caso, eles tinham certeza do desfecho do ato, da consequência”.

Com a linha de defesa montada na tese de que não houve intenção de matar, os três advogados de defesa se revezaram na argumentação. O único que pediu algo diferente foi o de Éverton Felipe, afirmando que seu cliente “apenas” ajudou a arrancar os vasos, mas não participou da ação criminosa de arremessá-los. “A probabilidade podia ser grande de causar um acidente, mas não tem como entrar na mente dos réus e ter a certeza de que eles queriam matar. Eles queriam protestar pelos maus resultados do time, por exemplo”, argumentou Adelson José, advogado de Éverton Felipe.

Por volta das 19h15, após réplica e tréplica de defesa e acusação, respectivamente, o juiz Jorge Luiz dos Santos Henriques, reuniu-se com o Conselho de Sentença, formado por sete jurados sorteados ainda antes da sessão, pela manhã. O encontro fechado durou cerca de três horas e em seguida foram lidas as penas. Sob forte comoção dos familiares, os condenados não esboçaram reação e deixaram o fórum escoltados pela polícia de volta para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), de onde serão encaminhados para o presídio Barreto Campelo, localizado em Itamaracá, Região Metropolitana do Recife.

DEFESA – Os advogados responsáveis por defender o trio de acusados dividiram opinião sobre as penas impostas. Paulo Sales, defensor de Luiz Cabral, já informou que entrará com um recurso de apelação para recorrer. Já Adelson José, advogado de Éverton Felipe, conhecido como Ronaldinho, avaliou como moderadas as sentenças proferidas. Os condenados poderão recorrer ao regime semi-aberto após o cumprimento de 2/5 da pena, contando a partir do dia da prisão preventiva, em maio do ano passado

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