Nos siga nas redes sociais

Sem categoria

Quando a justiça é feita pela própria internet

Repercussão de casos de preconceito em redes sociais muitas vezes termina em punição aos agressores

Publicado em

às

A internet para uns é terra de ninguém. A falsa sensação de proteção ou anonimato leva muitos usuários a se manifestarem de forma exagerada, a extravasar seus preconceitos com o pensamento de que sairão impunes. Embora a legislação possua uma lei que prevê crimes cibernéticos – a lei 12.737/2012, conhecida como “Lei Carolina Dieckmann” -, ela vale para infrações praticadas através da tecnologia, como roubo de dados e exposição de imagens sem autorização. A conduta de ódio no mundo online responde ao Código Penal, mas há quem prefira fazer justiça com as próprias mãos no teclado.

Quando uma pessoa pratica um crime evidente, ele recebe uma punição mais eficiente que qualquer sistema penal do mundo pode trazer”, explicou o presidente da OAB Pernambuco, Pedro Henrique Alves, citando como exemplo comentários preconceituosos sobre o Nordeste de um piloto da Avianca.Em janeiro deste ano, um professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) escreveu em seu perfil no Facebook um texto com teor homofóbico. Instantes depois, vários usuários começaram a criticá-lo. O post do docente foi compartilhado e muitos estudantes e movimentos sociais abriram uma denúncia contra o funcionário e a instituição ficou de investigar o caso. “As redes sociais são um ambiente que possui uma autorregulamentação grande.

Também no Facebook, o piloto publicou, em março, que tudo no Nordeste era “porco, nojento e medíocre”. O comentário gerou revolta e a companhia aérea informou, dias depois, que ele não fazia mais parte do quadro de funcionários da empresa. “Há uma reprovação social para esse tipo de conduta. O usuário sente os efeitos negativos desse comportamento virar contra si. O que ele escreveu está registrado, tem que pedir desculpas, sumir do mapa e esperar passar”, analisou Alves.

O presidente da OAB Pernambuco também atenta a esse novo tipo de “patrulhamento social”. “As pessoas são demitidas, ameaçadas quando postam comentários preconceituosos. A gente tem que aprender a conviver com essa nova realidade para que a intolerância não seja respondida com a intolerância”, afirmou. Na situação do professor da UFRPE, ele também recebeu comentários de ódio, o que o torna uma vítima. “Numa situação como essa, quem comenta retrucando pode ser punido”, disse Alves.

Mas nem todo caso pode ser resolvido dentro da própria internet. Como o exemplo da estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo. Após as eleições presidenciais em 2010, ela incitou o assassinato de pessoas do Nordeste em seu perfil do Twitter ao escrever “Nordestino não é gente. Faça um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado”. “Ela sofreu a sanção imediata do que fez pelos usuários das redes sociais. Foi moralmente atacada, mas o OAB também ingressou com uma ação e ela foi punida”, confirmou Pedro Henrique Alves. A garota foi condenada, em 2012, a cumprir um ano, cinco meses e 15 dias de prisão, mas a sentença foi convertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa.


Continue Reading
Publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright © 2013 - 2021 PortalPE10 | O Portal que faz a Diferença.