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Cotidiano

Preso longe de Suzano, pai perde enterro do filho por falta de escolta

Amigos e familiares acompanham os carros que deixam a Arena Suzano, onde ocorreu o velório que reuniu cerca de 10 mil pessoas.

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Enterro do corpo de Samuel Melchiades de Oliveira Silva, em Suzano â?? Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Preso a 650 quilômetros de Suzano (SP), Douglas Leandro Clizesqui não vê o filho Douglas Murilo há mais de nove anos e não estará no enterro do garoto, morto no massacre de ontem.

Segundo a família, o pai precisaria de escolta, transporte e quase 8 horas de viagem para chegar de Flórida Paulista, no interior do estado, até o cemitério Colina dos Ipês, em Suzano, onde Douglas Murilo será enterrado no fim desta tarde. Mas nada disso foi disponibilizado.

“A nossa luta foi para trazer ele para ver o filho, mas as autoridades, neste momento tão difícil, não fizeram nada. O meu irmão está desesperado”, disse Sandra Aparecida Leandro, tia de Douglas Murilo, durante o velório do garoto.

Ele foi um dos cinco estudantes mortos pelo ataque cometido por ex-alunos na escola estadual Raul Brasil, na Grande São Paulo.

Sandra afirma que o pai do garoto teve a saída autorizada, mas a escolta exigida para o transporte de presos não foi liberada a tempo.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo disse ao UOL, em nota, que a “escolta não foi realizada por falta de condições operacionais”.

Dor e ausência

Durante o velório do corpo do jovem de 16 anos, em uma igreja evangélica de Suzano, familiares criticavam o Estado pela falta do pai.

“Ele está pagando pelo que fez de errado. Mas as autoridades não ajudam as famílias. Ninguém se mobilizou para trazê-lo”, disse Sandra.

Douglas foi condenado em 2003. Saiu sob condicional em 2008, mas foi preso novamente em 2010 e cumpre pena por tentativa de homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo

Nas conversas entre presentes no velório, era possível ouvir questionamentos sobre a diferença de tratamento dada a Douglas e ao ex-presidente Lula, que viajou sob escolta da Polícia Federal de Curitiba a São Bernardo no início do mês para o enterro do neto.

A família diz que tentou a liberação de Douglas durante toda a madrugada, com base no artigo 120 da Lei de Execução Penal que permite a saída da prisão em casos de falecimento ou doença grave de cônjuges ou familiares de presos.

Em nota, a SAP disse que “todas as medidas administrativas foram tomadas para realização do transporte do sentenciado ao velório. Porém, a confirmação do parentesco somente ocorreu às 8h da manhã da data de hoje, 14/03, pois ainda não havia parentes cadastrados no rol de visita do preso, o que dificultou o processo”.

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