Nos siga nas redes sociais

Cotidiano

Polícia Civil divulga detalhes do inquérito da Operação Ponto Final II

Vereadores foram indiciados por corrupção e organização criminosa. Inquérito com 600 páginas foi encaminhado para o MP

Publicado em

às

Vereadores acompanhados do advogado Saulo Amazonas (à esqueda). (Foto: Reprodução/ TV Asa Branca)A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira (14) os detalhes do inquérito da Operação Ponto Final II, realizada em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo cinco vereadores do município.

O documento com 600 páginas foi entregue ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na quinta-feira (13).
A instituição tem 15 dias para decidir se vai ou não oferecer denúncia contra os edis investigados.

De acordo com as investigações, três vereadores lideravam a organização criminosa que tinha por objetivo colher assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores. Val (DEM), Evandro Silva (PMDB) e Neto (PMN) teriam oferecido dinheiro a dois vereadores para que fosse assinada a propositura de instalação da CPI da Controladoria Geral da União (CGU).  Os vereadores Jadiel Nascimento (PROS) e Val das Rendeiras (PROS) teriam aceitado a oferta e recebido, cada um, R$ 30 mil – sendo, metade antes da assinatura e metade após a instauração da comissão.

Segundo a Polícia Civil, Val (DEM), Evandro Silva (PMDB) e Neto (PMN) foram indiciados por corrupção ativa e organização criminosa, cuja pena pode chegar a 29 anos e três meses de reclusão. Já os vereadores Jadiel Nascimento (PROS) e Val das Rendeiras (PROS) foram indiciados por corrupção passiva e organização criminosa.

De acordo com Erick Lessa, gestor de Controle Operacional do Interior I, durante as investigações 22 pessoas foram ouvidas, entre elas, secretários, vereadores e líderes de partidos políticos. O inquérito conta ainda com 410 horas de provas cautelares, como escutas com a autorização da Justiça, gravações e intercepções feitas pela polícia. “As investigações começaram em junho. Um dos marcos do procedimento é a fala do vereador Ranilson dos Santos (PTB), na sessão legislativa do dia 24 de setembro de 2013, onde o mesmo afirma que vereadores da oposição ofereceram dinheiro para que ele voltasse a favor da instalação da CPI da CGU, que investigaria as contas da prefeitura”, detalha. Ainda de acordo com o gestor, após a instalação da CPI, os vereadores pretendiam barganhar dinheiro com a prefeitura para que a investigação fosse arquivada.

Apuração de Conduta
A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Vereadores de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, está reunida para começar a apurar a conduta dos dez vereadores envolvidos nas “Operação Ponto Final”, realizada pela Polícia Civil. O encontro ocorre na Sala de Reuniões Vereador Wanderley Francisco.

A comissão é composta pelos vereadores Ricardo Liberato (PSC), José Ailton (PDT), Marcelo Gomes (PSB), Demóstenes Veras (PROS) e Rozael do Divinópolis (PROS). Caso algum destes vereadores falte a reunião, eles serão substituídos pelos suplentes Edjailson da Caru Forró (PT do B), Edmilson do Salgado (PCdoB), Ranilson Enfermeiro (PTB), Lula Tôrres (PR) e Romildo Oscar (PTN).

Segundo a assessoria de imprensa da Câmara, “O procedimento será adotado em observância ao Regimento Interno– Art. 232 – § 6º – que determina que: O vereador que praticar ato contrário ao Decoro Parlamentar ou que afete a dignidade do mandato estará sujeito às penalidades e ao processo disciplinar previstos no Código de Ética e Decoro Parlamentar, o qual também definirá as condutas puníveis”.

Investigações

Na sexta-feira (7), os vereadores Neto (PMN), Jadiel Nascimento (PROS) e Val (DEM) foram até a Diretoria Integrada do Interior I (Dinter I), em Caruaru, para serem ouvidos pelo delegados Erick Lessa e Diogo Melo. Os depoimentos devem contribuir às investigações relacionadas ao inquérito da Operação Ponto Final II.

Eles chegaram acompanhados dos advogadas e da família. Os depoimentos só começaram com a chegada dos três parlamentares. O primeiro a prestar esclarecimentos foi Val (DEM), que passou cerca de uma hora no local, em seguida  Jadiel Nascimento (PROS) e Neto (OMN), que ficaram cerca de 30 minutos cada um.

Na saída, eles não falaram com a imprensa. Apenas o advogado Emerson Leônidas se pronunciou, dizendo que eram desnecessárias as prisões preventivas, porque eles têm endereço e não ofereciam risco à sociedade. Ele ainda disse que os vereadores não quiseram responder nenhuma das perguntas feitas na ouvida, reservando-se a falar apenas em juízo.

Ida à 4ª Vara Criminal

Neto (PMN), Jadiel (PROS) e Val (DEM) são considerados foragidos. (Foto: (Reprodução/TV Asa Branca/ Reprodução/TV Asa Branca/ Jael Soares/G1))

Na quinta-feira (6), os vereadores Neto (PMN), Jadiel Nascimento (PROS) e Val (DEM), anteriormente considerados foragidos, apresentaram-se na 4ª Vara Criminal, em Caruaru. De acordo com o advogado dos parlamentares, Saulo Amazonas, o procedimento é considerado padrão após o recebimento do habeas corpus. “Eles assinam uma documentação mostrando que estão cientes dos termos de condições da liberdade”, explica. Os vereadores Val das Rendeiras (PROS) e Evandro Silva (PMDB) receberam o prazo de até 96 horas, a partir do momento que eles foram soltos, para se apresentarem.

Segundo a Polícia Civil, os cinco parlamentares estão envolvidos em outro suposto esquema de corrupção. O delegado Erick Lessa, que preside as investigações, afirmou ao G1 que a ação funcionou da seguinte forma: “Evandro Silva propôs a criação de uma CPI e, para isso, teria que colher assinaturas para levá-la a plenário. Com isso, ele e os vereadores Val de Cachoeira Seca e Neto teriam pago uma quantia em dinheiro para dois vereadores da situação, Val das Rendeiras e Jadiel Nascimento. A intenção era que eles assinassem o documento. Instaurada a CPI, eles iriam negociar com o Poder Executivo para que o caso fosse arquivado mediante pagamento”. Como foram colhidas apenas oito assinaturas – seis de parlamentares da oposição, e dois da situação – o caso foi arquivado.

 

Continue Reading
Publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright © 2013 - 2021 PortalPE10 | O Portal que faz a Diferença.