Nos siga nas redes sociais

Cotidiano

PM conclui que policiais não cometeram crime em ação com 15 mortos no Fallet

PM conclui que policiais não cometeram crime em ação com 15 mortos no Fallet

Publicado

em

ás


A Polícia Militar concluiu que os agentes que participaram de uma ação que acabou com 15 mortos nos morros do Fallet, Fogueteiro e Prazeres, no centro do Rio de Janeiro, não cometeram crime nem transgressão.

A corporação havia aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) –medida administrativa adotada sempre que uma operação resulta em lesão corporal ou morte– para apurar o caso, paralelamente às investigações da Polícia Civil e do Ministério Público estadual, que ainda não chegaram ao fim.

A incursão, que incluiu agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Choque, foi a que deixou mais vítimas nos últimos 12 anos no estado, desde uma ação no Complexo do Alemão com 19 mortos em 2007. Ocorreu em 8 de fevereiro, após quase três dias de uma guerra entre facções criminosas na região.

Naquele dia, 13 corpos foram achados nas comunidades: sete dentro de uma casa no Fallet, dois próximos a essa casa, dois em outra casa, um no morro do Fogueteiro e o último nos Prazeres. O inquérito da PM foi sobre essas mortes. Os outros dois corpos foram encontrados dois dias depois em uma região de mata no morro dos Prazeres.

A corporação afirma que todos foram mortos em confronto e que os corpos foram achados em vias das favelas. Moradores, porém, relatam que os policiais atiraram mesmo após rendição. Eles não negam que seus familiares tivessem envolvimento com o tráfico, mas defendem que eles deveriam ter sido presos, e não mortos.

A Defensoria Pública do RJ aponta uma série de irregularidades nas investigações, questiona a autonomia dos órgãos policiais para apurar o caso e diz que há indícios de tortura. Segundo o ouvidor-geral Pedro Strozenberg, muitos fatos não foram retratados nos laudos e documentos periciais.

O mais grave deles foi a alteração da cena das mortes e a não realização da perícia de local no dia dos fatos. Os policiais levaram os jovens, já mortos, ao hospital municipal Souza Aguiar para supostamente socorrê-los. Eles tinham entre 15 e 22 anos.

A perícia dos corpos, diz o defensor, também não apontou ferimentos importantes relatados por familiares e registrados em vídeos. Um dos rapazes teria ficado com uma espécie de tatuagem na testa, outro estava com o intestino completamente para fora do corpo, como mostra uma gravação feita no IML.

Um homem que não quis se identificar, tio de dois jovens mortos, um de 16 e outro de 18, afirmou que os policiais esfaquearam todos os suspeitos depois de atirar nas pernas, para impedir que fugissem. Há relatos, ainda, de sinais de espancamento e traumatismo craniano.

“O receio que fica é: como a operação com maior letalidade dos últimos 12 anos no Rio de Janeiro é validada como uma ação eficaz, sem procedimentos a serem reparados? A mensagem que isso gera é que mesmo uma ação tão letal é considerada uma ação legal”, afirma Strozenberg.

Na ocasião, o governador Wilson Witzel (PSC) publicou um vídeo em suas redes sociais para declarar que a operação foi legítima.

“O que aconteceu no Fallet-Fogueteiro foi uma ação legítima da Polícia Militar. Agiu para defender o cidadão de bem. Não vamos mais admitir qualquer bandido usando armas de fogo, de grosso calibre, fuzis, pistolas, granadas, atentando contra a nossa sociedade. Vamos continuar agindo com rigor”, declarou ele.

Uma semana após o caso, o diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, Antônio Ricardo Nunes, disse que uma perícia realizada na casa corroborava a versão apresentada pela Polícia Militar. O laudo da reconstituição do caso ainda não ficou pronto. 

Continue Reading
Publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright © 2013 - 2021 PortalPE10.