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Cotidiano

Padre Arlindo comanda a 9ª semana seguida de doações de alimentos pela campanha ‘A Fome Não Pode Esperar’

Foram entregues a população 100 toneladas de alimentos.

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No momento em que muitos problemas recaem sobre Tamandaré e a cidade passa por momentos de dificuldade e angústias, bem como de fragilidade social, econômica e agora política, a campanha “A Fome Não Pode Esperar” continua crescendo e ganha ainda mais força.

Como é possível entregar 100 toneladas de alimentos, 33.000 ovos e 9.000 mortadelas em apenas dois meses de campanha iniciada pouco tempo após crise do Coronavírus?

Num momento de cansaço das pessoas com o isolamento social, com o desemprego que atinge mais pessoas, com a constatação da quebra de empresas que sequer vão voltar a reabrir, com o aumento do pico da contaminação no interior do estado, e, especialmente, de esgotamento de todas as campanhas solidárias que por aí estão, os números levam a reflexão.

É a força de alimentos que aparecem em forma de 8 toneladas de alimentos distribuídas em 600 cestas básicas toda semana, durante nove semanas seguidas. A fartura na chegada de cada vez mais e mais proteína para ser distribuída ao povo, junto com os demais itens da cesta básica, traduzem-se em ovos e mortadelas, alimentos para, literalmente, fornecer, em tempos de fome, nutrientes aptos a tornar as pessoas capazes de atravessar com vigor e ânimo o período. Literalmente força física, que irá dotar as pessoas da força emocional, onde a proteína também é capaz de trazer um simbolismo impregnado de um derrame de esperança e de dignidade.

Proteína pode ser traduzida para as pessoas que receberam a cesta, em forma de “mistura”. Para o padre Arlindo, que já passou pela dolorosa experiência da fome, “mistura é dignidade, mistura é alegria, mistura é não comer puro, é comer arroz e feijão com um pedacinho de carne ou um ovo para aumentar o tamanho do prato. Minha mãe fazia um milagre com meio quilo de carcaça de galinha, pois ela conseguia fazer com o pé, o pescoço, as partes mais simples da galinha um almoço para 12 pessoas. Para pessoa carente, ter a proteína para não comer puro, é a coisa mais importante e traz dignidade para o ser humano”. Na sua acepção mais profunda, não tê-la no prato, significa que aquela família está na mais completa situação de vulnerabilidade, pois sequer tem condições de comprar a proteína.

No momento em que todos os números da pandemia ainda insistem em ser protagonistas na Mata Sul, acontece alguma coisa que vai contra a corrente e faz nascer um contrafluxo extraordinário de alegria, de esperança e de sorrisos. Juntos, criam uma força extraordinária capaz de atrair, não só alimentos, mas uma legião de voluntários que, a cada semana, conquista novos adeptos. É o caso de Christiana Rocha, proprietária de uma pousada na Praia dos Carneiros e membro da ADESC – Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Praia dos Carneiros, ao expressar sua gratidão ao pároco, em palavras emocionadas: “a única coisa que tenho é agradecer ao padre Arlindo que me colocou nessa empreitada. É muito amor, muita gratidão por poder fazer a diferença nesse mundo”. Ou, como registra a jornalista Isabela Pontes, voluntária também recém-chegada com um brilho nos olhos: “é como um abraço de proteção na cidade. E mais lindo é ver que a comunidade retribui esse abraço com um sorriso”.

Se todo abraço fortalece, é como um abraço que o senhor André Domingos da Silva chega fortalecido com um poema escrito de próprio punho para expressar sua gratidão. Ao receber sua cesta, atesta a importância de recebê-la, já que a esposa está desempregada: “muita gente parada e com essa feira a gente fica muito feliz, pois vai ajudar muito no orçamento da gente. E a carta é meu jeito de querer agradecer ao padre Arlindo e a todos vocês que vêm nessa campanha ajudando tanta gente com tanto prazer, fazendo por mim e por todos”.

Diante disso, pode-se questionar de onde vem o alimento que chega a cada semana, mesmo quando se achava que ele não iria chegar. É uma esperança que não está fundamentada somente na partilha, mas também na Providência Divina que, na maioria das vezes, faz o alimento brotar e chegar de maneira inexplicável.

É uma dimensão de abundância, que se traduz num grande bem. A percepção quando se conversa com os voluntários é que algo dentro do seu coração os inquieta e não conseguem mais parar. E o padre Arlindo ensina aos voluntários que “isso significa o verdadeiro amor. Todo mundo cansado, mas com o coração alimentado. Os olhos de todo mundo brilhando, são olhos de alegria, olhos de felicidade, olhos de amor, que vale a pena se doar a cada momento, a cada instante. É se cansar para que as pessoas descansem, porque o amor faz o bem sem olhar a quem”.

Isso contagia e viraliza. Por isso, um exército de gente do bem está sendo formado e esse bem se multiplica exponencialmente. Traz a ousadia de querer no próximo domingo entregar 1000 cestas básicas e 1000 bandejas de ovos de uma só vez. É mais gente que estende a mão pelo próximo e se torna um “pedinte”, em nome daqueles que mais precisam. Quanto mais gente sonhar junto com o padre nessa corrente e esperança, mais força haverá rumo as 1000 cestas básicas e as 1000 bandejas de ovos.

Quem virá mais? De onde virá mais alimento?

SERVIÇO

DOAÇÕES EM CONTA:

Nu Pagamentos (Banco 0260) – NUBANK

Arlindo Laurindo de Matos Junior

CPF 733.185.074-15

Agencia 0001

Conta 64992911-7

Tipo: conta de pagament

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