Pernambuco
'Meu rosto estaria estampado', diz mãe de menino que morreu ao cair de prédio, identificando primeira-dama de Tamandaré como patroa
Mirtes Renata desceu para passear com cachorro dos patrões e deixou filho com Sari Corte Real, que responde por homicídio culposo. Miguel Otávio foi deixado sozinho em elevador.
Publicada em 04 de junho de 2020 às 12:45:44.
Por: Marcos André | Fonte: G1

Mirtes Renata Souza, mãe do menino Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu ao cair de um prédio de luxo no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

"Se fosse eu, meu rosto estaria estampado, como já vi vários casos na televisão. Meu nome estaria estampado e meu rosto estaria em todas as mídias. Mas o dela não pode estar na mídia, não pode ser divulgado". O desabafo foi feito por Mirtes Renata Souza, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que morreu ao cair do 9º andar de um edifício de luxo no Recife após a mãe descer para passear com o cachorro dos patrões. Ela deu entrevista a TV Globo nesta quarta-feira(4)

A empregadora foi autuada por homicídio culposo, mas não teve o nome divulgado pela Polícia Civil. Ela chegou a ser presa em flagrante, mas pagou R$ 20 mil de fiança e responderá em liberdade. Nesta quarta-feira (4), Mirtes contou que era empregada doméstica do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker, e da mulher dele, Sari Corte Real. A reportagem tentou contato com os patrões e não teve resposta até a última atualização.




Segundo o delegado Ramon Teixeira, responsável pelo caso, câmeras do circuito interno de segurança do condomínio mostraram o momento em que a mulher permitiu que Miguel entrasse sozinho no elevador. Nas imagens, era possível ver que ela fala com o menino, mas o deixa lá.

O apartamento dos patrões ficava no 5º andar. Segundo a investigação, Miguel saltou do elevador no 9º andar, escalou uma grade na área dos aparelhos de ar-condicionado, na ala comum do edifício, fora do apartamento, de onde caiu.


"Ela confiava os filhos dela a mim e a minha mãe. No momento em que confiei meu filho a ela, infelizmente ela não teve paciência para cuidar, para tirar [do elevador]. Eu sei, eu não nego para ninguém: meu filho era uma criança um pouco teimosa, queria ser dono de si e tudo mais. Mas assim, é criança. Era criança", disse a mãe.

Ao longo de toda a pandemia, Mirtes e a mãe continuaram trabalhando para o casal. A família dos patrões optou por se isolar em Tamandaré, no Litoral Sul. "Ela disse que a gente não era obrigado a ir. A gente foi porque precisa trabalhar, precisa ganhar nosso salário para pagar as contas e também em questão que 'mainha' é grupo de risco", explicou.

Quando o prefeito divulgou que teve Covid-19, ela também havia sido diagnosticada com a doença. Mirtes relatou que, após exames, foi constatado que a mãe dela e o filho também tiveram, mas com sintomas muito leves. Depois de um tempo em Tamandaré, todos voltaram ao Recife.



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