Brasil
Publicada em 19 de novembro de 2019 às 19:40:09. Atualizada em 19 de novembro de 2019 às 19:40:09.
Colégio adventista de Belém pergunta 'como evitar o homossexualismo' em prova
Colégio adventista de Belém pergunta 'como evitar o homossexualismo' em prova
Por: Marcos André | Fonte: Diário de Pernambuco



Uma escola adventista de Belém do Pará virou assunto nacional e causou revolta entre pais e alunos ao aplicar um questionário de Língua Portuguesa que incluía questões como “A bíblia condena a relação homossexual?”, “O homossexualismo (sic) tem perdão?”. Ministrada aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, a atividade é um dos assuntos mais comentados do Twitter nesta terça-feira (19). 

A repercussão foi gerada a partir de posts publicados nos stories do maquiador Herisson Lopes, irmão de uma aluna do Colégio Adventista de Correios. Nas postagens, Herisson denuncia, indignado, o exercício de 50 perguntas dissertativas, baseadas no livro De bem com você (Casa Publicadora Brasileira, 232p.), da pedagoga Sueli F. de Oliveira e do teólogo Marcos De Benedicto. Organizada em esquema de perguntas e respostas, a publicação voltada ao público adolescente sugere que a homossexualidade “é fenômeno que se instala “em lares onde a figura do pai é fraca”, o que faz com que o menino seja “apassivado pela mãe”. A obra afirma ainda que “ser gay é uma escolha do indivíduo”. 



“Me preocupa que a escola esteja abordando a homossexualidade com esse viés no país que mais mata pessoas LGBT no mundo. A instituição pode não ter consciência disso mas, amanhã, o jovem exposto a esse conteúdo pode se transformar no homofóbico que agride gays”, afirma o maquiador. “Além disso, a prova, que é de Português, não parece cumprir seu objetivo, pois não traz qualquer pergunta sobre regras gramaticais ou de concordância, por exemplo. Então ela soa mesmo como algo tendencioso, feito para disseminar crenças cheias de preconceito”, avalia Lopes.

Herisson conta que tomou conhecimento da avaliação ao passar pela sala de sua casa, onde a irmã estudava com alguns colegas. “Eles mesmos estavam chocados com as questões propostas na atividade. A minha família toda, na verdade, está. Minha mãe mesmo é evangélica, mas não compactua com a homofobia”, relata o maquiador, que preferiu não identificar a irmã para evitar que ela seja alvo de bullying e retaliações na comunidade escolar. 

Lopes não pretende manter a denúncia apenas no âmbito da Internet.

Tags: Cotidiano,Brasil, PortalPE10
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