Copa América
Publicada em 02 de julho de 2019 às 12:45:24. Atualizada em 02 de julho de 2019 às 12:45:24.
Copa América: Como era o Brasil e o mundo no último título da Argentina
São 26 anos
Por: Murilo Souza | Fonte: Placar



São 26 anos. O último título de alguma relevância da seleção argentina aconteceu no longínquo ano de 1993, quando a equipe liderada pelo cabeludo atacante Gabriel Batistuta bateu o México na finalíssima da Copa América disputada no Equador. Desde então, nossos vizinhos e rivais não repetiram o gesto de levantar uma taça e esse jejum assombrou todas as gerações subsequentes. Neste quarto de século, muita coisa mudou no Brasil e no mundo. Horas antes do confronto decisivo desta terça-feira com a seleção brasileira, VEJA relembra os grandes acontecimentos daquela época na política, na cultura e no esporte na lista abaixo. Confira:

A gestação do Real





Fernando Henrique Cardoso ainda era o Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco e tinha como missão central acabar com a hiperinflação que corroía o poder aquisitivo dos brasileiros – em 1993, o índice acumulado do ano bateu os 2.477%. Ao lado do então presidente do Banco Central, Pedro Malan, e com a participação de economistas como Edmar Bacha, André Lara Resende, Gustavo Franco e Pérsio Arida, FHC iniciou um programa para estabilizar a economia. Naquele ano, a moeda vigente no país mudou de Cruzeiro para Cruzeiro Real, e que logo após seria atrelada à unidade real de valor (URV), indexador de preços que serviu de base para a criação do Real em 1994.

O “Fusca do Itamar”



O Fusca já era considerado antiquado naquela época. Tanto que havia deixado de sair das fábricas brasileiras da Volkswagen em 1986. Itamar Franco, o político mineiro que assumiu a presidência após o impeachment de Fernando Collor, se assustou com os preços dos carros no Salão do Automóvel e pediu ao mercado um veículo mais acessível ao bolso da população. Para ajudar, o presidente aprovou a lei do carro popular, que dava isenção de impostos para a produção de modelos desse tipo, e assim nasceu o “Fusca do Itamar”. A velha nova, entretanto, não causou grande comoção. O Fusca foi apenas o 18º automóvel mais vendido em 1993 – o Gol, da mesma fabricante alemã, foi o líder de emplacamentos.

A prisão do homem-bomba de Collor



Digna de roteiro, a fuga de Paulo César Farias, o nebuloso tesoureiro da campanha de Fernando Collor à presidência, criador de um esquema que movimentou mais de 1 bilhão de dólares dos cofres públicos, movimentou o ano de 1993. PC foi indiciado em fevereiro em dez inquéritos, por corrupção ativa, emissão de notas frias, falsidade ideológica, evasão de divisas e exploração de prestígio. Desapareceu na véspera da decretação de sua prisão preventiva – ele saiu do país em um avião bimotor, pelo Paraguai – e só foi encontrado em novembro na Tailândia, onde foi preso e enviado de volta para o Brasil. O final dessa história todos se recordam: PC Farias acabou morto em 1996 ao lado da namorada, em uma casa de praia no litoral de Maceió.

O sortudo “Anão do Orçamento”



A relação promíscua entre políticos e as maiores empresas da construção civil do Brasil não é exclusividade dos dias atuais. Há duas décadas, um grupo de parlamentares se envolveu em fraudes em emendas pagas com recursos da União. O escândalo, revelado em 1993 graças a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, ficou conhecido como o caso dos “Anões do Orçamento” – a alcunha decorre do fato de os envolvidos serem deputados sem grande expressão, portanto “anões” no sistema político brasileiro. O deputado João Alves, acusado de liderar o esquema de desvio, atribuía seu patrimônio de 5 milhões de dólares ao absurdo de ter ganhado muitas vezes na loteria. “Deus me ajudou”, chegou a afirmar o político, que acabou renunciando ao mandato para evitar a cassação na Câmara. Alves morreu em 2004.

Um aperto de mão histórico na Casa Branca



1993 foi o ano em que Bill Clinton tomou posse como o 42º presidente dos Estados Unidos. Logo no início de seu mandato, o ex-governador do Arkansas protagonizou um encontro histórico. Ele foi o mediador das conversas entre o então primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat. O cumprimento público entre dois inimigos históricos representava a esperança de se atingir a paz no Oriente Médio. Embora seja uma imagem emblemática, o entendimento entre palestinos e israelenses nunca foi atingido na prática.

Whitney Houston foi a mais ouvida – e o pagode do Só Pra Contrariar agitava a música brasileira



I Will Always Love You foi a música mais tocada do ano, segundo a revista americana Billboard, especializada na indústria musical. A música, entoada originalmente por Dolly Payton em 1974, fez sucesso na voz da diva americana Whitney Houston. A cantora regravou a canção para a trilha sonora do filme O Guarda-Costas, do qual foi protagonista. Já nas paradas brasileiras, Que Se Chama Amor, do grupo de pagode Só Pra Contrariar, foi a faixa mais escutada em território nacional.

Brasil entra na rota dos shows internacionais



Você já deve ter ido em algum grande show aqui no Brasil. Naquela época, isso não era tão comum. O ano de 1993 foi o que marcou a chegada das megaturnês internacionais ao país. Entre outubro e dezembro daquele ano, Madonna, Michael Jackson e Paul McCartney cantaram ao vivo para os brasileiros. Michael Jackson cantou duas vezes no estádio do Morumbi. Madonna também fez duas apresentações: a da foto acima, em São Paulo, e outra no Maracanã, com direito a arriscar algumas palavras em português e vestir uma camisa do Flamengo.

A consagração de Steven Spielberg



Dois filmes dirigidos por Steven Spielberg foram sucesso de bilheteria em 1993. Jurassic Park trouxe os dinossauros para as telas dos cinema e arrecadou 914 milhões de dólares – foi a maior receita da indústria cinematográfica até o lançamento de Titanic, em 1997. A Lista de Schindler era uma motivação pessoal: filho de judeus, o diretor quis retratar os sofrimentos sofridos na Segunda Guerra Mundial. Os dois foram premiados no Oscar do ano seguinte e o segundo filme rendeu a primeira estatueta de melhor diretor para Spielberg.

Na TV brasileira, o que fazia sucesso era a novela Renascer



Uma das novelas de maior sucesso da década passou na televisão em 1993. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, Renascer trazia a briga de José Inocêncio (Antônio Fagundes) com o filho mais novo João Pedro (Marcos Palmeira). A morte de sua esposa durante o nascimento do caçula fez o fazendeiro ter ódio do menino e a trama se desenrola em torno disso. A produção da Globo venceu o Troféu APCA e o Troféu Imprensa de melhor novela do ano.

A democratização da internet



Hoje é fácil pegar o seu celular para acessar qualquer informação disponível na rede. Isso só foi possível porque no dia 30 de abril, a World Wide Web passou a ser livre para todos, sem nenhum custo. O “WWW” se tornou domínio público, o que garantiu que qualquer cidadão pudesse utilizar o serviço. Sem a decisão, jamais haveria o boom da internet no mundo.

E no esporte? Teve a última vitória de Ayrton Senna



A temporada da Formula 1 foi a última completa de Ayrton Senna antes da morte trágica em 1994. O piloto brasileiro perdeu o título para Alain Prost e a então imbatível Williams, mas protagonizou grandes momentos. Conquistou sua sexta vitória na pista de Mônaco e venceu a corrida no Brasil, após a chuva tirar Prost do caminho. Rubens Barrichello estreou na categoria naquele ano.

Primeiro tricampeonato de Michael Jordan com o Chicago Bulls



Uma dinastia acontecia nos Estados Unidos. O Chicago Bulls de Michael Jordan ganhou o terceiro título seguido da NBA e o craque foi eleito o melhor jogador da competição nos três anos. Repetiria o feito entre 1996 e 1998, com o camisa 23 novamente como o maior destaque. Jordan participou dos seis títulos conquistados pelo Bulls na categoria.

Os craques estavam aqui



O São Paulo tinha um timaço em 1993. Ganhou a Copa Libertadores da América e Mundial pelo segundo ano seguido. Em um grande jogo, venceu o poderoso Milan por 3 a 2 na final no Japão. O Botafogo também teve destaque no continente com a conquista da Copa Conmebol em cima do Peñarol, do Uruguai, nos pênaltis. Aqui dentro, o Palmeiras começava a colher os frutos da parceria com a Parmalat e acabava com um jejum de 17 anos sem títulos. E foram logo três taças: o Campeonato Paulista, o Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro.

Romário garante Brasil na Copa do Mundo e inicia o sonho pelo tetra



Romário não tinha a melhor relação com o então técnico Carlos Alberto Parreira. O treinador deixou o atacante de fora da seleção durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Como o Brasil corria riscos de não se classificar para o Mundial pela primeira vez na história, o treinador deu o braço a torcer e chamou o camisa 11 de volta. Deu muito certo. Os dois gols contra o Uruguai garantiram o Brasil na competição. O tetra veio no ano seguinte com mais um show de Romário.

Argentina campeã da Copa América



A Argentina vivia uma fase muito diferente. Havia ganhado a Copa América em 1991 e foi para o torneio de 1993 mais uma vez sem Diego Maradona, que ainda era o grande craque do país. Para se ter uma ideia, o hoje técnico Diego Simeone, conhecido por ser um volante vigoroso durante a carreira, era o camisa 10 daquele time. Com o atacante Gabriel Batistuta e o goleiro Sergio Goycochea em grande fase, o time despachou o Brasil nas quartas de final nos pênaltis e venceu o México na decisão para ficar com seu último título

Campeã sim. Humilhada também



Dois meses depois do título da Copa América, a Argentina tomou uma goleada de 5 a 0 da Colômbia, em casa, teve que jogar a repescagem para se classificar para a Copa do Mundo do ano seguinte. Velhos conhecidos da torcida brasileira fizeram quatro gols. Freddy Rincón (ex-Palmeiras e Corinthians) e Faustino Asprilla (ex-Palmeiras) marcaram duas vezes cada. Adolfo Valencia completou a goleada. No final do ano e com Maradona em campo, os argentinos superaram a Austrália em dois jogos e se garantiram no Mundial.

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