Pernambuco
Publicada em 15 de maio de 2019 às 10:44:09. Atualizada em 15 de maio de 2019 às 10:44:09.
Grupo de estudantes do IFPE de Barreiros realiza passeata contra bloqueios de verbas na educação
As secretarias de Educação de Pernambuco e da capital não divulgaram balanço.
Por: Redação PortalPE10 | Fonte: G1



Foto: Reprodução/Whatsapp

O bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo MEC causa paralisação de professores de universidades federais e protestos em Pernambuco, nesta quarta-feira (15). Parte das escolas públicas não tiveram aula pela manhã, assim como unidades do Instituto Federal de Educação (IFPE). Na Zona Oeste do Recife, professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) atenderam à população gratuitamente durante o dia de paralisação. 

Das 145 escolas da rede municipal de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, 50 estão sem aulas, segundo a prefeitura. As secretarias de Educação de Pernambuco e da capital não divulgaram balanço. Em Barreiros, na Zona da Mata, estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) fizeram uma caminhada com faixas e cartazes.



Além de Pernambuco, os atos acontecem em outras cidades do país. Procurada pelo G1, a UFPE e a UFRPE informaram que não iriam se manifestar sobre atos desta quarta, nem passar estimativa de professores que aderiram ao movimento.


Foto: Reprodução/WhatsApp

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

Escolas


Foto: Marina Meireles/G1

O G1 passou por sete escolas na região central do Recife e as encontrou fechadas, todas sem aula na manhã desta quarta. No Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, o portão estava fechado com corrente e cadeado. Já Escola Estadual Sylvio Rabello e na Cônego Rochael de Medeiros, a informação repassada por funcionários é de que os alunos não compareceram às unidades.

Na Escola Municipal Santo Amaro Severino Gomes, as portas estavam fechadas e não havia funcionários para repassar informação sobre o funcionamento da unidade. Cartazes colados na entrada apontavam para o ato convocado contra os bloqueios.

A Secretaria de Educação do estado informou, por telefone, que a orientação era para que as aulas acontecessem normalmente nesta quarta-feira (15). Caso não haja expediente, as aulas perdidas serão repostas, segundo a pasta.

A Secretaria de Educação do Recife informou que as escolas e creches estariam abertas nesta quarta para receber os alunos, mesmo que os professores não comparecessem por aderirem à paralisação. Um balanço do impacto na rede municipal deve ser divulgado ao longo do dia.

IFPE Barreiros


Foto: Reprodução/Whatsapp

O protesto em Barreiros começou por volta das 8h. Os estudantes entregaram um documento à direção do campus do IFPE da cidade, pedindo a manutenção das 1.500 refeições diárias no refeitório e das bolsas e projetos de pesquisa.

Em seguida, eles se reuniram e foram em passeata até o Centro do município. Ao longo do trajeto, eles contaram com a adesão de outros estudantes. A Polícia Militar não acompanhou o ato.

A assessoria de imprensa do IFPE informou que o protesto não é do instituto, mas que a direção liberou os alunos para participar do ato. Em Barreiros, o campus tem cerca de 1.300 alunos. São dois cursos nível médio integrado, dois superiores, dois subsequentes, quatro cursos de Proeja e uma especialização.

Serviço gratuito


Foto: Reprodução/TV Globo

Aferição de pressão e glicose, orientação sobre alongamento, entre outras atividades, estão sendo ofertadas na Praça do Engenho do Meio, na Zona Oeste da capital pernambucana, pelos docentes da UFPE. A Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), que organizou o mutirão de serviços, informou que não divulgaria balanço sobre quantos professores aderiram à paralisação.

"Esse atendimento é feito dentro das escolas, nos hospitais, nas comunidades, como estamos hoje. Hoje temos professores de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e de Fonoaudiologia para atender à população. Se acontecer esse corte do governo federal, não temos como manter o atendimento", explica a professora Etiene Fitipaldi.

Além dos serviços gratuitos ofertados à população, os docentes da UFPE distribuíram panfletos na entrada do campus Recife da instituição.


Foto: San Costa/TV Globo

Agreste e Sertão

Os bloqueios de verbas pelo MEC também geraram protestos no Agreste e no Sertão do estado. Durante a manhã, foram registrados atos em Caruaru, Garanhuns, Pesqueira e Serra Talhada, além de Petrolina.

Tags: Pernambuco, IFPE, Corte, Verbas, Ministério da Educação, Barreiros
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