Brasil

Paulo Guedes afirma ser contra piso de enfermagem e, temendo repercussão, abandona entrevista na Rede TV!

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o ministro respondeu que ele “como cidadão” é contra o piso, mas se arrependeu logo em seguida. Por isso, pediu que a entrevista fosse interrompida e que não seja exibida.

Como mostrou o EstadãoGuedes virou alvo de fogo amigo no comitê do presidente Jair Bolsonaro. Nas reuniões de coordenação da campanha, em Brasília, o ministro é responsabilizado pelo cenário desfavorável e pela estagnação do presidente em pesquisas de intenção de voto.

Desde que o piso da enfermagem foi aprovado, o Ministério da Economia era contrário à medida pelo forte impacto que teria para Estados e municípios. A pasta temia que a conta, que pode chegar a R$ 16,5 bilhões, segundo cálculos, fosse empurrada para a União, seja por meio da correção da tabela do SUS ou outra ação.

A lei que estabeleceu o piso salarial dos profissionais de enfermagem entre R$ 2.375 e R$ 4.750 foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no início de agosto. O Congresso, no entanto, ao aprová-la, não indicou as fontes de recursos para os gastos extras, especialmente de Estados e municípios. Essa foi a principal justificativa do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender a lei em decisão liminar, depois confirmada pelo plenário virtual da Corte na última quinta, 15.

Auxiliares de Bolsonaro confidenciam, reservadamente, que o titular da Economia “mais atrapalha do que ajuda” a campanha. Na avaliação de aliados de Bolsonaro, Guedes abriu flancos, nas últimas semanas, para que adversários agissem contra Bolsonaro.

A campanha passou a lidar com uma onda negativa de notícias econômicas depois que o governo enviou ao Congresso a proposta de Lei Orçamentária Anual de 2023. Com a peça, Guedes municiou a oposição com o corte de 60% dos recursos do programa Farmácia Popular, para beneficiar o direcionamento de verbas ao orçamento secreto, como revelou o Estadão. A redução de R$ 1,2 bilhão afetará a distribuição de ao menos 13 medicamentos de asma, diabetes, hipertensão e até fraldas geriátricas.

Marcelo Passos

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