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Nordeste lidera índices de educação; Pernambuco e Ceará são destaques

Em | Da Redação

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Nordeste lidera índices de educação; Pernambuco e Ceará são destaques
(Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)

O Nordeste tem se destacado e liderado avaliações da educação brasileira nos últimos anos. Os estados de Pernambuco e do Ceará são os que mais aparecem no topo dos indicadores. No ensino integral, Pernambuco, Ceará e a Paraíba são que têm a maior proporção de alunos do ensino médio matriculados, segundo dados do Censo Escolar 2022. O índice supera São Paulo — o estado mais rico do país.

Avanços na educação básica – Em 2021, o Nordeste foi a região do Brasil que mais progrediu em relação aos resultados de 2017 no Ioeb (Índice de Oportunidades da Educação Brasil), da Comunidade Educativa. O cálculo inclui nível de aprendizagem, estrutura das escolas e formação dos professores, entre outros itens. A cidade com o maior Ioeb do país, por exemplo, é Sobral, no Ceará: 6,7 —o indicador vai até 10. O município é referência no ensino integral.

O Nordeste reúne 97 das 100 melhores escolas de anos iniciais do Brasil, segundo dados de 2021 do Ideb (Índice Nacional de Educação Básica), aferido pelo Ministério da Educação. Dessas, 87 ficam no Ceará, as demais em Alagoas e Pernambuco. No ensino fundamental 2, o Nordeste marca presença com 88 unidades.

Só no ensino médio que o Sudeste fica no topo do ranking, com 53 escolas —38 apenas no estado de São Paulo.

Por que a região tem esses números? Para Kátia Smole, diretora do Instituto Reúna e ex-secretária da Educação Básica do MEC durante governo Temer, os estados do Nordeste estão em evidência por adotarem políticas que não são descontinuadas.

“Temos dois grandes líderes na região que são Ceará e Pernambuco. Os dados mostram que os estados criaram um planejamento muito focado. Eles confirmam que as ações não podem ser pontuais, mas é preciso fazer políticas de Estado, que vão se manter de uma gestão para outra.”

Resultados positivos também são vistos em boa parte das notas mil em redação no Enem —principal porta de entrada ao ensino superior.

No Enem 2021, dos 22 estudantes que tiraram a nota máxima, 7 são do Nordeste –a região ficou atrás apenas do Sudeste, que registrou 11 candidatos. O Inep ainda não divulgou quantos alunos tiraram a nota máxima da redação da edição 2022 e de quais lugares do Brasil eles são.

“Me sinto extremamente feliz. Isso serve para mostrar o quanto é mentira a história que aqui não se tem conhecimento, que o povo é ignorante, que só tem analfabeto.”Carina Moura, 18, estudante nordestina que tirou nota mil na redação do Enem 2022”.

Outros destaques da educação no Nordeste, na comparação com o restante do país:

  • Pernambuco lidera a proporção de alunos do ensino médio em escolas de educação integral, com 62,5%;
    No fundamental, quem lidera é o Ceará com 41%;
  • Teresina (PI) é a líder entre as capitais brasileiras com melhor desempenho entre alunos do 5º e 9º ano da rede pública;
  • Ceará criou o PAIC (Programa de Alfabetização da Idade Certa), que se tornou referência para outros estados;

Os estados trabalham com foco em alfabetização, educação integral e regime de colaboração.

O colégio Professora Maria José dos Santos Ferreira Gomes, em Sobral, adota o ensino integral desde 2017.

“Essa modalidade fez melhorar bastante a minha comunicação, os meus pensamentos e as minhas relações pessoais”, disse Camile Nascimento, 14, aluna do 9º ano.

A mãe dela, a doméstica Ana Cláudia da Rocha, 48, confirma. “Melhorou a aprendizagem dela, mas também o modo que ela se comporta em casa. Ela desenvolveu e melhorou muito suas relações.”

O município cearense é referência nos avanços de alfabetização e educação integral —planeja ser o primeiro do estado a oferecer esse modelo em todas as suas escolas.

Além de uma carga horária maior, chegando a nove horas e meia, as unidades de tempo integral oferecem uma grade curricular diferente. Algumas escolas têm aulas de dança, jogos e projeto de vida —o que ajuda os alunos a planejarem o que vão fazer após o fim da escola. Os alunos matriculados nesta modalidade costumam ter um rendimento mais consistente.

“Quando você compara a nossa rotina com uma escola [de tempo] normal, vê que temos vários fatores positivos. Nós não damos apenas base comum, trabalhamos o aluno na sua integralidade enquanto sujeito. É ação na parte cognitiva e também social”, diz Mikaelly Silva, diretora da escola.

“Aqui os professores não se preocupam só com a matéria, mas com o bem-estar, e isso agrega para o nosso crescimento.”, afirmou Camile Nascimento, aluna do 9º ano de Sobral.

O modelo serviu de referência para o estado. O Ceará promete agora que até 2026 todas as escolas públicas serão em tempo integral.

Para atingir os bons resultados, tanto Ceará quanto Pernambuco adotam o regime de colaboração entre o estado e os municípios. Dessa forma, todos avançam e a união colabora para frear a desigualdade entre as cidades.

Também por causa desses feitos, o Ceará foi palco da disputa pela cadeira do MEC no governo Lula. O ex-governador de lá e agora ministro da Educação Camilo Santana já afirmou que quer replicar o modelo de colaboração para o restante do país.

“Queremos construir uma política para todos os 27 estados e claro vai ter que ter regime de colaboração, vai ter que ter adesão de governador, do prefeito. Isso precisa de uma articulação bem feita e o papel do ministério é esse. Vamos apresentar essa política, discutir e claro que temos pressa para isso. Vamos fazer uma grande mobilização.”, disse Camilo Santana, ministro da Educação.

Replicar o modelo do Ceará, no entanto, não é novidade. No governo Dilma, a então presidente lançou um programa de alfabetização nos mesmos moldes do estado cearense, que não deslanchou —perdeu investimentos no governo Temer e depois foi extinto por Bolsonaro.

“Faltou estabelecer um pacto com estados e municípios, articulação e base legal. Também não se viu um ponto vital ao sucesso do programa: prover estímulos, inclusive financeiros, àqueles que alcançam as metas, que devem ser muito bem definidas”, disse Camilo em entrevista à Veja.

Katia Smole, do Instituto Reúna, concorda. “Precisa ter incentivo financeiro, avaliação e monitoramento. Os novos moldes precisam pensar como apoiar quem não alcançou as metas, por exemplo, e quais passos precisam ser dados.”

*As informações são do Uol.

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