
Na Alemanha, onde abre a Hannover Messe, principal feira industrial do planeta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (19) que a União Europeia insiste “em narrativas falsas” sobre o agronegócio brasileiro, setor que, em grande parte, não apoia politicamente o presidente.
Lula discursava na cerimônia de abertura do evento, que começa na prática nesta segunda-feira (20). O Brasil, pela segunda vez, é o país homenageado da feira.
Na primeira, em 1980, Lula era preso pelo regime militar por liderar as greves no ABC, movimento que atingiu várias empresas alemãs e catapultou a figura pública do então líder sindical. “Exatamente em 19 de abril”, lembrou o presidente, sendo aplaudido por uma plateia formada por industriais e executivos.
A referência ao agronegócio ocorreu em um momento do discurso em que Lula se queixava de barreiras comerciais impostas pela UE sobre os biocombustíveis brasileiros. “O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar as coisas. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, declarou.
“É preciso ainda combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura”, pontuou. “Criar barreiras adicionais a um acerto de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”, afirmou o presidente, em referência às negociações ainda incipientes em torno do assunto.
Recepcionado com honras militares pelo primeiro-ministro, Friedrich Merz, Lula lembrou dos choques do petróleo dos anos 1970, que fizeram o Brasil desenvolver o Pró-Álcool, inédito na escala que atingiu à época. “Em 1980, nesta mesma feira, nesta mesma cidade, Volkswagen e Mercedes apresentaram motores movidos a etanol”, lembrou.
A referência às montadoras alemãs foi recebida com mais aplausos.
Biocombustíveis e a matriz energética brasileira, dominada por energia limpa, lideraram as citações da cerimônia junto com o acordo UE-Mercosul, que entra em vigor em maio.
“Já adotamos mistura de 30% de etanol à gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, disse o presidente, tocando na raiz histórica da diferença dos europeus com a modalidade de energia que o Brasil vê como sustentável.









