Medidas de incentivo que serão anunciadas são voltadas aos cidadãos que estão com dívidas sendo pagas em dia
O presidente Lula lança nesta segunda-feira (29), no Palácio do Planalto, uma nova etapa do Desenrola Brasil voltada para os consumidores que estão com as dívidas no dia. A iniciativa, chamada informalmente de Desenrola Adimplentes, busca aliviar o peso dos juros no orçamento de famílias que ainda não entraram na inadimplência, mas já comprometem parte relevante da renda com crédito caro.
A cerimônia está marcada para as 9h30 e deve contar com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o anúncio irá reunir medidas de incentivo à adesão. Os detalhes finais do programa ainda não foram divulgados oficialmente.
Foco no bom pagador
A nova frente representa uma mudança de foco em relação às etapas anteriores do Desenrola, técnicas principalmente em pessoas com dívidas em atraso e nome negativado. Agora, a ideia da equipe econômica é atuar de forma preventiva: oferecer condições melhores para quem continua pagando, mas corre risco de se dividir ainda mais por causa dos juros altos.
A proposta também tenta responder a uma crítica recorrente de consumidores que mantêm as contas em dia, mas ficam fora dos programas tradicionais de renegociação. Com a nova etapa, o governo busca contemplar o chamado bom pagador.
O público considerado prioritário são trabalhadores informais, que não têm renda fixa mensal nem vínculo formal de emprego. Para o governo, esse grupo costuma enfrentar condições mais duras no mercado de crédito, justamente por ter menos garantias a apresentar aos bancos.
Durigan já havia indicado, em maio, que o governo estudaria uma rodada do Desenrola para adimplentes. Na ocasião, afirmou que o trabalhador informal é um dos que mais sofre com juros elevados porque não tem salário recorrente nem histórico regular de colheita. A avaliação do Ministério da Fazenda é que esse perfil paga mais caro para acessar crédito pessoal.
A proposta em discussão deve alcançar trabalhadores sem vínculo CLT ou com o serviço público, com dívidas de até R$ 15 mil em operações de crédito pessoal sem consignação e com pelo menos cinco parcelas pagas em dia.
A expectativa é reduzir as taxas dessas operações para patamar inferior a 4% ao mês. Hoje, a média estaria em torno de 7% ao mês.
O governo, no entanto, ainda precisa confirmar oficialmente os critérios de adesão, os tipos de dívida incluídos, a taxa final, o prazo de pagamento e a forma de participação dos bancos. Esses pontos devem ser apresentados na conferência desta segunda.
A nova etapa se soma ao Novo Desenrola Brasil, lançada em maio, que permite a renegociação de dívidas em atraso de famílias com renda de até cinco meses de atraso. No caso dessa modalidade, o programa oferece descontos de até 90%, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e possibilidade de uso de parte do saldo do FGTS para amortizar ou quitar dívidas.
O Desenrola Famílias alcança débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratado até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam atrasados entre 91 dias e dois anos. A adesão é feita diretamente com bancos e instituições financeiras participantes.
Com o Desenrola para adimplentes, o governo tenta responder a uma preocupação política e econômica: a percepção de que, mesmo com melhorias em indicadores de emprego e renda, parte das famílias segue pressionada por dívidas e juros elevados.
A avaliação no Planalto é que o individualismo reduz a renda disponível, limita o consumo e dificulta que a recuperação econômica seja sentida no orçamento doméstico.
A aposta da equipe econômica é que a renegociação de dívidas caras, antes da negativação, ajuda a evitar nova alta da inadimplência. O anúncio ocorre em meio ao esforço do governo para ampliar medidas de crédito, renda e reorganização financeira das famílias.
Além do Desenvolvimento Famílias, o pacote lançado em maio incluía ações para estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais.
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