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Fazer exercícios pela noite é mais eficiente para o metabolismo, diz estudo

Em | Da Redação

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Fazer exercícios pela noite é mais eficiente para o metabolismo, diz estudo
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O exercício noturno pode ser mais poderoso que os treinos matinais para melhorar a saúde metabólica, de acordo com um estudo sobre o horário de atividades físicas.

O estudo, que analisou dietas ricas em gordura e homens com excesso de peso, descobriu que os exercícios no final do dia moderavam os efeitos indesejáveis para a saúde de uma dieta gordurosa, enquanto o exercício matinal não.

Os participantes foram apenas homens que tinham uma dieta gordurosa, mas aumenta a evidência de que o horário do exercício é importante e, para muitas pessoas, malhar mais tarde pode ter vantagens particulares.

Embora possamos estar apenas vagamente conscientes disso, as operações no interior de nosso corpo seguem agendas circadianas movimentadas, intrincadas e mutáveis.

Todos os nossos tecidos contêm relógios moleculares que coordenam sistemas biológicos, levando o açúcar no sangue a subir e baixar ao longo do dia, juntamente com a fome, frequência cardíaca, temperatura corporal, sonolência, expressão gênica, força muscular, divisão celular, gasto de energia e outros processos.

O funcionamento completo desses relógios internos permanece misterioso. Mas os cientistas sabem que eles se recalibram com base em sinais complexos de dentro e de fora de nossos corpos. Isso quer dizer qie eles são sincronizados com a luz e o sono. Também se definem pelas refeições, o que significa que o horário em que comemos, assim como o que comemos, pode influenciar nossa saúde e o metabolismo.

A maioria dos pesquisadores acredita que a hora do exercício também ajusta os relógios internos. Mas os resultados de estudos anteriores relevantes foram inconsistentes. Alguns sugerem que os exercícios matinais, antes do café da manhã, queimem mais gordura do que os noturnos. Outros acham o contrário.

E alguns experimentos recentes indicam que o exercício mais cedo, se intenso, na verdade prejudica o controle de açúcar no sangue, enquanto o mesmo exercício, realizado mais tarde, suaviza os picos de açúcar no sangue e melhora a saúde metabólica, o que pode beneficiar particularmente a saúde do coração e o controle do diabetes tipo 2.

A maioria desses estudos, porém, se concentrou em um tipo de exercício e raramente controlou as refeições das pessoas durante os experimentos, dificultando separar os efeitos do horário do exercício daqueles relativos ao que as pessoas comem e quando.

Para este estudo, publicado no ano passado na revista Diabetologia, cientistas afiliados ao Instituto de Pesquisas da Saúde Mary MacKillop da Universidade Católica Australiana em Fitzroy, na Austrália, e outras instituições, decidiram controlar a dieta das pessoas enquanto ajustavam o horário de treino.

Eles começaram recrutando 24 homens australianos sedentários e com excesso de peso (não incluíram mulheres para evitar questões relacionadas ao ciclo menstrual). Os cientistas convidaram esses voluntários para o laboratório, verificaram sua aptidão aeróbica, colesterol, controle de açúcar no sangue e outros aspectos de saúde, perguntaram sobre os hábitos alimentares atuais e depois os prepararam com refeições.

As refeições consistiam em cerca de 65% de gordura, uma vez que os pesquisadores desejavam saber como o horário do exercício afetaria o metabolismo da gordura, bem como o controle do açúcar no sangue.

Os voluntários comeram os alimentos untuosos e durante cinco dias e visitaram o laboratório para mais testes. Em seguida, os cientistas os dividiram em três grupos. Um começaria a se exercitar todos os dias às 6h30, outro às 18h30, e o último permaneceria sedentário, como controle.

As rotinas de exercícios eram idênticas, misturando intervalos breves e intensos em bicicletas ergométricas num dia com exercícios mais fáceis e mais longos no dia seguinte. Os praticantes se exercitaram durante cinco dias consecutivos, enquanto faziam a dieta rica em gordura. Depois, os pesquisadores repetiram os testes originais.

Os resultados foram perturbadores, de certa forma. Após os primeiros cinco dias de alimentação gordurosa, o colesterol dos homens tinha subido, especialmente o LDL, o tipo menos saudável. O sangue deles também continha níveis alterados de certas moléculas relacionadas a problemas metabólicos e cardiovasculares, com alterações que sugeriam maiores riscos de doenças cardíacas.

O exercício matinal, entretanto, pouco fez para atenuar esses efeitos. Os praticantes de exercícios matinais mostraram o mesmo colesterol elevado e padrões moleculares preocupantes no sangue que o grupo de controle.

O exercício noturno, por outro lado, diminuiu os piores impactos da má alimentação. Os praticantes de exercícios tardios mostraram níveis mais baixos de colesterol após os cinco treinos, bem como padrões melhores de moléculas relacionadas à saúde cardiovascular na corrente sanguínea.

De forma supreendente, eles também desenvolveram melhor controle do açúcar no sangue durante a noite após os treinos, enquanto dormiam, do que qualquer um dos outros grupos.

O resultado dessas descobertas é que “o exercício noturno reverteu ou reduziu algumas das mudanças” que acompanhavam a dieta rica em gordura, diz Trine Moholdt, cientista do exercício na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, que liderou o estudo na Austrália como pesquisadora visitante. “O exercício matinal não fez isso.”

Esse estudo não nos diz como ou por que os exercícios tardios foram mais eficazes para melhorar a saúde metabólica, mas Moholdt suspeita que eles tenham maior impacto nos relógios moleculares e na expressão gênica do que os treinos matinais.

Ela e seus colegas pretendem investigar essas questões em estudos futuros e também analisar os efeitos do horário do exercício entre mulheres e idosos, bem como a interação entre o horário de exercício e o sono.

Por enquanto, ela adverte que o estudo não sugere de forma alguma que os treinos matinais não sejam bons para nós.

Os homens que se exercitaram tornaram-se mais aeróbicos, diz ela, independentemente do momento do exercício. “Eu sei que as pessoas sabem disso”, diz ela, “mas qualquer exercício é melhor do que não se exercitar.”

Malhar no final do dia, entretanto, pode ter benefícios únicos para melhorar o metabolismo da gordura e o controle do açúcar no sangue, principalmente se você fizer uma dieta rica em gorduras.

Da redação do PortalPE10, com informações do Folha de São Paulo.

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