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Ex-PM fala sobre trabalho no OnlyFans: ‘Conteúdo educacional’

Em | Da Redação

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Ex-PM fala sobre trabalho no OnlyFans: ‘Conteúdo educacional’
(Foto: Reprodução/Instagram)

Márcia Carvalho, de 35 anos, viralizou esta semana nas redes sociais por ser uma ex-PM catarinense que agora ganha muito dinheiro – cerca de R$ 40 mil por mês – com conteúdo nas plataformas adultas OnlyFans e Privacy. Mas ela, que tem uma filha de 9 anos e está solteira, avisa que tem uma missão na rede. “É um conteúdo educacional”, diz Márcia, que é terapeuta tântrica e usa a técnica para ajudar homens e mulheres a descobrirem a própria sexualidade.

“O tantra é uma filosofia de vida milenar que vem da Índia e muda todos os aspectos da nossa vida, trabalhando nosso corpo e espiritualidade. Dentro dele existe a massagem tântrica, que desbloqueia vários pontos energéticos, incluindo os da sexualidade”, explica a ex-PM, que descobriu a técnica aos 18 anos e entrou na Polícia Militar, aos 21, justamente para ter renda para fazer os cursos que queria na área.

Segundo a modelo, o tantra é muito usado na área da sexualidade por necessidade: “A gente é carente de tratamento sexual no Brasil, então a terapia também atua na sexualidade, no desbloqueio de traumas, de travas. Então existe sim, toque no órgão genital, mas a pessoa não vai fazer sexo com o terapeuta, ela vai trabalhar o corpo dela com terapeuta e o sexo ela vai fazer lá na vida pessoal”, avisa.

“Mas é indicação: se o homem tem disfunção erétil ou ejaculação precoce, se a mulher tem vaginismo… Também pode ser um recurso para mulheres que foram abusadas, mas é caso a caso”, diz. Márcia faz questão de explicar a terapia tântrica não só porque faz parte de seu trabalho nas plataformas – muitas vezes confundindo com pornô –, mas também porque ela mesmo se beneficiou dela para resolver uma violência terrível do passado.

ABUSO

Ainda criança, a modelo foi abusada por uma pessoa próxima de seu círculo familiar. “Foi um longo caminho para eu me curar, mas hoje estou totalmente liberta. Foi difícil de ser tratado”, desabafa, contando que por muito tempo se sentiu culpada.

“Foi pelo tantra que eu me libertei de tudo isso. Quando algo assim acontece, você fecha seu corpo, entende que qualquer toque é algo ruim ele porque gerou tudo aquilo lá no passado. E até você aprender a descobrir o próprio corpo, entender o prazer e que isso é bom, é um processo”, pontua, sobre o caminho pelo qual retomou a autonomia sobre seu corpo. “Como tudo isso aconteceu [na vida] pelo tantra, eu me apaixonei pela terapia e pela possibilidade de usá-la profissionalmente”, lembra.

Márcia tem pai militar, “um homem bastante ciumento”, como ela mesma conta, mas a família sempre apoiou a terapeuta. “Sou filha mais velha. Meu pai sempre foi muito ciumento até para eu entrar na polícia, mas eu estava decidida. Pode ser que [outras pessoas] tenham falado de mim, quando entrei e saí da PM, mas não soube”, diz.

POLÍCIA MILITAR

“A Polícia Militar foi uma escola para mim. Eu trabalhava numa viatura, com homem, em escala de 24 horas por 48 horas. Aprendi muito sobre o universo masculino ali, sobre a construção do machismo, sobre como o homem às vezes não pode externar o que sente porque é cobrado pelo patriarcado”, conta.

Márcia, que diz ter feito grandes amigos na PM, não ficou na instituição porque sempre quis trabalhar com sexualidade e ser livre para expor sua vida, e garante que nos anos como policial militar entendeu um pouco mais da sociedade.

“A gente vive na nossa bolha e, dentro da polícia, você atende todo tipo de ocorrência, atende pobre, rico, é todo tipo de problema, é todo tipo de gente. É marido e mulher brigando, se matando… A minha maior missão dentro da polícia foi compreender a sociedade”, explica a terapeuta, que saiu da organização depois de sete anos, quando já tinha um pé de meia feito e se sentia mais preparada para o trabalho nas plataformas.

“Meu trabalho e o conteúdo mais sensual eram escondidos. Eu não queria mais viver dessa forma e resolvi sair para as plataformas adultas de forma aberta”, lembra. Nas plataformas, seu conteúdo é dividido. “Tem uma questão mais recreativa mesmo para aqueles que gostam. E a outra parte é de ensino, mais educativa, sobre sexualidade, voltada, por exemplo, para casais que gostariam de se relacionar um pouco melhor no sexo”, conta, dando exemplos.

“Há mulheres que têm medo, nojo ou vergonha de fazer sexo oral no marido, porque têm travas em relação a isso; há homens que não sabem como gerar prazer para a parceira porque mal sabem onde é o clitóris da mulher. E eu ensino, ensino como se toca para lubrificar uma mulher, como se toca no seio dela”, diz.

A modelo, que em seus vídeos aparece com homens ou mulheres, nega que se tratem de vídeos pornôs. “No pornô ninguém está ensinando nada, muito pelo contrário: um vídeo pornô mostra coisas que não são realidade, né? Se você for falar com cem mulheres, quantas gostam realmente de sexo daquela forma? Quase nenhuma. O pornô é uma fantasia. Eu sei o que estou falando porque produzo o conteúdo e ouço as queixas”, garante.

Com um público mais masculino, a ex-PM diz que muitas mulheres não sabem tocar no próprio corpo e não conhecem suas zonas erógenas. O reconhecimento de seu trabalho levou amigos pessoais a procurarem Márcia – ela diz que o trabalho com o sexo tântrico mostrou que existe muita carência de conhecimento na área. Até mesmo uma tia já foi conversar sobre o tantra com a modelo.

“Eu fico ‘meu Deus, como vou falar com eles em relação isso’, porque são pessoas de um círculo íntimo. Mas é que há muita carência de conhecimento na área da sexualidade”, aponta ela, que volta e meia é reconhecida nas ruas. “Às vezes até levo um susto”, ri.

A terapeuta assume que já recebeu propostas para encontros pagos e deixa claro que cabe a quem está nas plataformas estabelecer seus limites. “As pessoas confundem, acham que você está disponível. Quem trabalha nesse nicho precisa estar preparado e entender que por mais que você fale [não] sempre aparecerá gente [oferecendo dinheiro]”, explica.

“Não tenho preconceito nem nada, mas comigo não existe possibilidade. Mas tem gente que não entende isso e insiste, o que tem mais a ver com a pessoa do que comigo: o interno dela acredita que tudo é negociável e que o outro também está aberto para negociar um programa”, diz Márcia.

SOLTEIRA NA PISTA

Márcia conta que seu trabalho diário é voltado para as sessões de trabalho terapêutico, mas tira dois dias da semana para produzir conteúdo para as plataformas. Solteira, ela diz que não é fácil arrumar um parceiro. “Tô super na pista”, avisa a modelo, que lista entre as qualidades de um namorado “ser uma pessoa feliz, ter um trabalho que ame, estar buscando autoconhecimento e chegar para somar”.

A terapeuta já foi casada (“ele é militar também”) e tem uma filha com o ex-marido. “Ele é uma pessoa que sempre tirou de letra [o trabalho dela] e me apoiou. Depois tive outro relacionamento com uma pessoa que não conseguia aceitar o que eu fazia”, conta. Sobre um possível namorado, ela diz que a pessoa tem que estar “muito alinhada” com seus propósitos de vida. Mãe de uma menina de 9 anos, Márcia conta que a filha ainda não sofreu represálias por seu trabalho.

“Até hoje não aconteceu, mas eu acredito que ainda virá. Ela é bem preparada para isso, temos uma conversa boa. A escola da minha filha também é muito boa, foca muito em cima das questões de bullying, de sexualidade, racismo, preconceito… Eles são muito rígidos em relação a isso dentro da escola”, aponta Márcia. “Mas pode ser que aconteça [bullying], na vida ela vai sofrer, com certeza”, aponta.

RENDIMENTOS

Márcia hoje ganha muito mais que na PM, onde não chegou a avançar muito na carreira. “Entrei soldado e terminei soldado”, conta Márcia que, hoje, com seus dois trabalhos, o atendimento com tantra e as plataformas, fatura uma média de R$ 40 mil por mês. “Mas já faturei mais que o dobro disso em um mês. Só que não é sempre igual, porque tem assinatura recorrente, às vezes rola um boom [de assinaturas]… Não é fácil”, diz.

Márcia avisa que para ter longevidade nas plataformas de conteúdo adulto é preciso oferecer um conteúdo diferenciado. “A pessoa precisa mostrar realmente a personalidade dela. Corpo bonito tem no mundo inteiro, para ter sucesso você tem que mostrar quem realmente é para gostarem do seu perfil. Tem que ter uma conexão”, avalia a terapeuta, que há anos faz musculação todos os dias e procura ter uma alimentação balanceada “O tantra também ajuda no lado físico porque temos muito em comum com a ioga”, explica.

A modelo já acompanhou conteúdos adultos, mas hoje não é assinante de nenhum perfil. Seus pais, ela diz, “nunca falaram nada”, o que Márcia acredita ser reflexo da preparação antes de entrar nas plataformas. Com sua experiência, tem conselhos para quem quer seguir nesse caminho digital.

“A dica que eu dou para todas as mulheres é: você tem que estar preparada, tem que realmente saber o que você está fazendo. No meu caso, eu sabia, tinha certeza e, independentemente de qualquer reposta da minha família, não ia mudar minha decisão. É muito importante ter essa sua decisão interna”, ensina.

Ela conta que só depois de estar ciente de que entraria para as plataformas foi “preparando o campo” para falar para os pais. “Expliquei ‘estou indo por esse caminho por isso, porque quero aquilo, para chegar dessa forma’”, conta. “Foi tudo explicado e eles entenderam, não foi uma coisa de repente, que a galera estava fofocando sobre mim. Tivemos uma conversa boa”, lembra.

Márcia já lidou com assinantes mandando mensagens sugerindo encontros pagos fora das plataformas e assim, como os haters no Instagram – ela perdeu sua conta recentemente – a ex-PM simplesmente ignora quem passa dos limites. “Tem muitas mulheres que se irritam, eu não ligo”, diz.

*As informações são da Quem.

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