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Estudo sugere que treinos intensos diminuem o apetite

Em | Da Redação

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Estudo sugere que treinos intensos diminuem o apetite
Foto: Reprodução Internet

Por que ficamos tão famintos depois de alguns treinos, mas sem vontade comer depois de outros?

Em um estudo publicado na Nature em junho, uma equipe internacional de cientistas sugeriu que a resposta está em parte nas ações de uma única molécula produzida após o exercício físico que reduz a fome.

Encontrada no sangue de camundongos, humanos e cavalos de corrida, a molécula apareceu em profusão muito maior após treinos físicos intensos do que após sessões de exercícios leves. Isso sugere que exercitar-se intensivamente pode ser a chave para controlar o quanto se come depois.

A relação entre o fitness e a alimentação é sabidamente espinhosa. Estudos já demonstraram que pessoas que começam a praticar exercício sem também controlar sua ingestão calórica geralmente perdem poucos quilos ou nada ao longo do tempo, podendo inclusive ganhar peso.

​Há vários fatores que contribuem para esse resultado, entre eles o nível de boa forma física atual da pessoa, sua massa corporal, dieta, gênero, genética, taxa metabólica e possivelmente até o horário do dia em que ela se exercita. Alguns experimentos, embora não todos, sugerem que treinos matinais podem queimar mais gordura que os mesmos treinos feitos mais tarde no dia.

O apetite também faz uma diferença. Se você se sentir faminto nas horas seguintes ao treino, poderá facilmente acabar consumindo mais calorias do que queimou. Mas o que nos leva a sentir ou não sentir fome depois do exercício físico era uma incógnita.

Cientistas sabem há décadas que várias substâncias, como os hormônios leptina e grelina, se deslocam para o cérebro e nos levam a sentir mais ou menos interesse por comer.

Estudos revelam que o exercício físico altera os níveis dessas substâncias, mas a dieta e os hábitos de sono também o fazem. Alguns pesquisadores começaram a se perguntar se poderia haver algum tipo de reação especificamente ligada ao exercício que influencia o apetite.

Assim, cientistas da Escola de Medicina da Universidade Stanford, do Baylor College of Medicine, da Universidade de Copenhague e outras instituições utilizaram técnicas recém-desenvolvidas para procurar moléculas que aparecem no fluxo sanguíneo em número maior após o exercício físico.

Eles começaram estudando camundongos, colocando-os para correr em velocidade crescente em esteiras ergométricas mirins até ficarem exaustos. Colheram sangue dos camundongos antes e depois do exercício e então compararam os níveis de milhares de moléculas presentes no sangue dos roedores.

Uma molécula se destacou por ter subido de nível mais que qualquer outra. Ela já havia sido notada antes em alguns estudos de metabolismo e exercício físico, mas sua química e seu papel biológico eram desconhecidos.

Os cientistas descobriram que essa nova molécula –um misto de lactato e do aminoácido fenilalanina—foi criada aparentemente em resposta aos altos níveis de lactato liberados durante o exercício. Os cientistas chamaram a molécula de lac-phe.

Os pesquisadores especularam que a lac-phe pode ter algo a ver com o equilíbrio energético após o exercício físico, já que as células do sangue e outras partes do corpo que o criam estão amplamente envolvidas na ingestão de energia e na massa corporal.

Talvez ela afete o apetite, especularam. Para descobrir a resposta, deram uma forma de lac-phe a camundongos obesos, que normalmente comem com entusiasmo. Mas a ingestão de ração dos camundongos caiu mais de 30%. Aparentemente, sentiram menos fome com a lac-phe adicional.

Os pesquisadores então voltaram sua atenção ao exercício físico outra vez. Criaram camundongos que produziam pouco ou nenhum lac-phe e os fizeram correr em esteiras até ficarem exaustos, cinco vezes por semana, por várias semanas a fio.

Após cada corrida os animais tinham direito a quanta ração com alto teor de gordura que quisessem. Normalmente, correr ajuda camundongos a evitar o ganho de peso, mesmo quando seguem uma dieta altamente calórica. Mas os animais incapazes de produzir muito lac-phe incharam, comendo mais ração e ganhando 25% mais peso que o grupo de controle.

Parece que o lac-phe era a explicação de como o exercício extenuante ajudou os camundongos a ganhar peso. Sem ele, a mesma quantidade de exercício extenuante os levou a comer em excesso.

Finalmente, os cientistas procuraram o lac-phe em outros seres que se exercitam. O encontraram primeiro no sangue de cavalos de corrida, em níveis muito mais altos após uma corrida intensa do que antes da corrida.

Em seguida, pediram a oito rapazes saudáveis para exercitar-se três vezes: uma vez pedalando por 90 minutos em ritmo tranquilo, outra vez levantando pesos e uma terceira vez com vários sprints de 30 segundos em bicicleta ergométrica.

Os níveis de lac-phe no sangue dos participantes subiram após cada tipo de exercício, mas chegaram ao pico após os sprints, com o treino com peso vindo em segundo lugar. O exercício prolongado mas leve produziu o menor nível de lac-phe.

Em outras palavras, quanto mais intenso o exercício, quanto mais lac-phe era produzido, e, pelo menos entre os camundongos, mais o apetite diminuiu.

“Os resultados são fascinantes e acrescentam uma nova dimensão a como encaramos o exercício e a regulação do peso corporal”, comentou Richard Palmiter, professor de bioquímica na Universidade de Washington em Seattle e especialista em neurobiologia comportamental. Ele não participou do novo estudo.

“Sempre soubemos que nosso menu atual de moléculas que parecem regular o apetite e a ingestão alimentar, como a leptina, grelina, etc., era incompleto. Este novo metabólito/molécula sinalizadora é um acréscimo potencialmente importante à lista”, disse Barry Braun, diretor executivo do Laboratório de Pesquisas Clínicas em Desempenho Humano na Colorado State University em Fort Collins. Ele é estudioso do exercício físico e controle de peso e não participou do estudo.

Supondo que este processo funcione nos humanos do mesmo modo que nos camundongos, a descoberta do lac-phe oferece uma lição útil. Se quisermos evitar comer em excesso após uma sessão de exercício, talvez precisemos aumentar a intensidade do treino, disse Jonathan Z. Long, professor de patologia na Escola de Medicina da Universidade Stanford e autor sênior do novo estudo.

Para ele, essa ideia faz sentido intuitivo e evolutivo. “Se você está correndo em alta velocidade, fugindo de um rinoceronte ou outro perigo, o sistema nervoso autônomo manda o cérebro suspender a digestão e quaisquer outros processos não necessários.”

Mas seu estudo não revela como o lac-phe pode estar interagindo com nossas células cerebrais para afetar o apetite ou quão extenuante precisa ser o exercício para estimular a formação de lac-phe, nem tampouco quanto tempo perduram os efeitos da molécula.

Além disso, os participantes humanos eram homens jovens e saudáveis; logo, não sabemos se o lac-phe existe ou atua da mesma maneira em outras pessoas.

Mesmo assim, se você quiser sentir menos fome depois de malhar, talvez queira intensificar o exercício. Inclua algumas subidas em sua próxima caminhada ou corrida até a esquina mais distante. Segundo Long, “o que os dados dizem é que a intensidade faz a diferença” para o exercício e o controle do apetite.

Da redação do PortalPE10, com informações do Folha de São Paulo.

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