Empregos

Empresas prontas, vagas abertas — e ninguém para preencher: o colapso silencioso do modelo tradicional

Enquanto líderes debatem produtividade, eficiência e expansão, um obstáculo silencioso compromete as metas de negócios em todo o país: a falta de pessoas dispostas a preencher as vagas disponíveis. Não se trata apenas de escassez de qualificação — trata-se de uma desconexão estrutural.

O modelo tradicional de trabalho, baseado em rigidez de horários e relações hierárquicas, deixou de dialogar com uma parte crescente da força de trabalho brasileira.

O fenômeno já é visível em setores estratégicos. A construção civil, segundo a FGV, enfrenta dificuldades de contratação em 82% das empresas.

O setor hoteleiro, por sua vez, opera sob pressão com a escassez de mão de obra qualificada, o que compromete padrões de atendimento e aumenta o custo fixo das operações.

No varejo alimentar, a APAS fala abertamente em “apagão de mão de obra”. A ABRAS contabiliza mais de 357 mil postos de trabalho abertos apenas no setor supermercadista — a maioria, sem perspectiva de ocupação no curto prazo. Além dos números, o comportamento da nova geração reforça a urgência da mudança. Segundo pesquisa da consultoria

Manpower Group, 63% dos jovens entre 18 e 24 anos dizem preferir trabalhos flexíveis repor projetos a vínculos empregatícios tradicionais. A lógica de carreira linear já não seduz — o que atrai é a autonomia.

Nesse contexto, surgem plataformas que, em vez de impor vínculos, oferecem escolhas.Profissionais que estavam à margem do mercado formal, passam a compor operações antes inacessíveis — e com performance muitas vezes superior ao padrão.

“Empresas com mentalidade adaptativa entenderam que o problema não está na escassez de gente, mas na escassez de formatos”, afirma Kedson Silva, CEO da iWof.

“Quem continuar contratando como se estivesse em 2005, vai continuar sofrendo como se estivesse em crise — mesmo com vagas em aberto.”

A mudança de chave é estratégica: não se trata de substituir o modelo tradicional, mas de reconhecer que ele, isoladamente, não responde mais às dinâmicas de um mercado mutante. Para continuar crescendo, será preciso abandonar a nostalgia e abrir espaço para uma cultura de contratação mais plural, que reconheça a diversidade das trajetórias e a potência da flexibilidade como vetor de produtividade.

Neste novo paradigma, a pergunta já não é mais “por que ninguém quer trabalhar?”. A pergunta certa é: “o que estamos oferecendo ainda faz sentido para quem quer trabalhar?

Kedson Silva, CEO da iWof.

Marcelo Passos

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