Documentos revelam que os então ministros receberam denúncias sobre descontos indevidos em aposentadorias, prática que ficou conhecida como "Farra do INSS"
Ex-ministros de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Sergio Moro, foram informados em 2019 sobre descontos indevidos feitos nas aposentadorias dos beneficiários do INSS, prática que ficou conhecida como “Farra do INSS” e que, anos depois, se tornou alvo da Polícia Federal.
Documentos da época mostram que Moro recebeu as denúncias por meio do então diretor executivo do Procon de São paulo, Fernando Capez, que levou ao ministro e ao ex-presidente do INSS, Renato Vieira, a lista de associações suspeitas de aplicar os descontos irregulares.
Entre as citadas estavam a ABAMSP, Asbapi e Centrape, que tiveram sigilos quebrados recentemente pela CPI do INSS. Após a reunião, algumas entidades suspeitas foram descredenciadas. As informações são do Metropoles.
Da mesma forma, Paulo Guedes teve acesso a denúncias semelhantes através de um requerimento de deputado federal, que solicitava esclarecimentos sobre descontos não autorizados dos benefícios. A resposta enviada pelo gabinete de Guedes indicava que o INSS realizava fiscalizações periódicas e notificava as entidades quando comprovadas irregularidades.
O caso da “Farra do INSS” começou a ser investigado em 2023 pelo Metrópoles, que revelou que as entidades associativas chegaram a arrecadar R$ 2 bilhões em um ano, aplicando mensalidades sem autorização dos aposentados.
As denúncias levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal e à operação Sem Desconto, que resultou na demissão do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
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