Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa em acareação conduzida pela PF
A Polícia Federal segue no encalço do Banco Master e nas ligações com políticos e autoridades. Provas coletadas pelos agentes na Operação Compliance Zero, que teve como alvo na primeira fase o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontam referências a pessoas com foro privilegiado e lideranças partidárias do Congresso Nacional, o que complica ainda mais a investigação. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Por conta dessas menções, apurações sobre essas autoridades terão de correr no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o órgão julgador competente para figuras como foro privilegiado. De acordo com o periódico, fontes ligadas à investigação declaram que foram feitos “vários achados” com menções a esses grandes nomes.
Ao ser preso, Vorcaro teve seus sigilos bancário e telefônico quebrados, além de ter apreendidos documentos. A PF ainda teve acesso ao telefone celular do banqueiro, fonte de diversos detalhes e desdobramentos das investigações.
Ainda de acordo com a Folha, as referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília), o que motivou a Compliance Zero.
As irregularidades sustentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação da PF, em 18 de novembro do ano passado, mesmo dia em que o Master foi liquidado.
Peça cada vez mais visível em Brasília nos últimos anos, Vorcaro se tornou próximo de diversos aliados políticos e chegou a organizar encontros em uma mansão na capital federal para receber autoridades. Desde que a operação foi deflagrada, as relações do banqueiro provocaram tensão entre autoridades por conta de tudo o que o dono do Master pode informar à PF. Alguns políticos temem que sejam desvendadas suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro, segundo a Folha. Ele, no entanto, não se diz tão influente.
“Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, disse Vorcaro à PF em dezembro do ano passado.
Dentro do STF, a avaliação é de que o caso pode ter um desmembramento, reduzindo a pressão no Supremo diante da revelação de que o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito na Corte, tem proximidade com o caso. Ele passou impôs um alto grau de sigilo sobre a apuração em meio à revelação da existência de uma sociedade que dois de seus irmãos mantiveram com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro no resort Tayayá, no Paraná.
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