Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) cogitam nos bastidores realizar um evento paralelo à posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília no dia 1º de janeiro. A ideia nasceu de parlamentares do núcleo duro do presidente e começa a ganhar força entre os fãs em aplicativos de mensagens. A intenção é organizar um comício para que ele discurse a seu eleitorado na capital do país no mesmo dia e hora em que o presidente eleito estiver tomando posse. A ideia é copiar Juan Guaidó e fazer uma espécie de autoproclamação.
A coluna do jornalista Daniel Cesar conversou com uma pessoa do entorno de Bolsonaro e ela confirmou a intenção. “Ainda é embrionário e não sabemos se será possível porque há custos”, afirmou. Segundo a fonte, bolsonaristas querem a todo custo ir à Brasília pedir pela permanência do presidente no poder e seria de bom tom se ele discursasse para um público cada vez mais crescente nos acampamentos.
Bolsonaro já foi informado que a sugestão foi dada em grupos de Telegram e WhatsApp, mas não esboçou reação. Embora esteja planejando retomar as lives e as motociatas , o presidente avisou que precisa se recuperar do baque. Ele ainda não se considera pronto para falar com os apoiadores porque sentiu a derrota nas eleições, tanto que aparece em público até chorando .
Um nome importante do governo se reuniu nesta semana com Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, para pedir apoio. Em nome do bolsonarismo – e não de Bolsonaro – ele verificou as chances da sigla bancar o evento, mas deu com os burros n’água. O cacique lembrou que a legenda está com suas contas bloqueadas e vive momento delicado na relação com o STF (Supremo Tribunal Federal). Membros do diretório do partido afirmaram que o político ficou irritado com o pedido e a falta de noção.
Presidente autoproclamado
“O Bolsonaro precisa discursar contra as urnas, o STF, o TSE, o Lula e dizer que continua o presidente de quem quiser tê-lo como chefe da nação”, chegou a dizer um político mais empolgado. Membros do núcleo duro da campanha derrotada querem até criar uma espécie de gabinete paralelo para tomar decisões. A intenção é de que, a depender do que acontecer no evento, o presidente consiga forças para seguir em evidência. “Ele pode se autoproclamar presidente e seguir dando ordens”, concordou outro parlamentar no grupo de mensagens.
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