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Pernambuco

Água mais salgada entre fevereiro e março ajuda a explicar aumento de ataques de tubarão em Recife

Em | Da Redação com informações de Agência O Globo

Atualizado em

Água mais salgada entre fevereiro e março ajuda a explicar aumento de ataques de tubarão em Recife

 

Os ataques de tubarões a dois adolescentes na mesma praia em Jaboatão dos Guararapes (PE), no Grande Recife, estão relacionados a fatores sazonais, que tornam os mares da área mais proprensos a ocorrências do tipo em março e fevereiro. De acordo com o Diretor-Presidente do AquaRio, o biólogo marinho Marcelo Szpilman, a alta salinidade da água nessa época ajuda a explicar esses incidentes.

Por questões sazonais, a água dos mares na região tende a ficar mais salgada nestes primeiros meses do ano:

— O tubarão-cabeça-chata, espécie mais implicada nos últimos ataques, gosta de águas com mais salinidade. A região próxima de Boa Viagem também abriga um canal submarino com peixes para serem caçados. Esses fatores os atraem para o Grande Recife —, diz o especialista.

Szpilman acredita que os ataques aos adolescentes tenham ocorrido por uma tentativa de manutenção do território. Ele aponta que o animal mordeu os banhistas com mais raiva, visando afasta-los. Por outro lado, o ataque ao surfista teria ocorrido por um erro de identificação visual.

O biólogo aponta que a maior parte das mortes após ataques de tubarão se dá em função do grande sangramento provocado pela mordida, que posteriormente leva a um afogamento.

O garoto de 14 anos mordido no domingo teve a perna direita amputada e a garota de 15 anos perdeu parte do braço esquerdo na segunda-feira. Em Olinda, houve o caso de um surfista mordido na perna em 20 de fevereiro. Ele recebeu alta após passar 10 dias no Hospital da Restauração.

— Em Pernambuco, o índice de fatalidade por ataque de tubarões entre surfistas é de 12%, enquanto entre banhistas é de 53%. Isso se explica pelo fato da prática do esporte geralmente ocorrer em grupo, o que inibe o tubarão, e pela prancha evitar afogamentos. Já o banhista costuma estar sozinho no mar—, aponta Szpilman.

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