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A história que o mar engoliu: O que sabemos sobre as vítimas não encontradas do Titanic

Depositado no fundo do Oceano Atlântico há mais de um século, o Titanic foi protagonista de um dos episódios mais famosos da navegação mundial. O desejo de conhecer os resquícios do cruzeiro, naufragado em 14 de abril de 1912, motivou a empresa OceanGate Expeditions a desenvolver o Titan, o submarino que implodiu com um grupo de cinco pessoas que tentavam chegar ao local onde está o que resta da embarcação.

A procura se deve à grandiosidade do evento em questão. Foram mais de 1.500 mortes — cerca de 70% das pessoas a bordo — após o Titanic atingir um iceberg no Atlântico Norte. Agora a cerca de 4 mil metros no fundo do Atlântico, os corpos teriam se decomposto ou sido comidos pela vida marinha nesta profundidade.

Peixes e crustáceos como camarões, além de bactérias, seriam os responsáveis por esse “trabalho”. As criaturas adaptadas ao ecossistema subaquático teriam consumido pele e tecidos humanos. O professor John Cassella, cientista forense da Atlantic Technological University Sligo, na Irlanda, disse ao DailyMail que o osso se degrada rapidamente em água salgada.

“O osso é feito de um mineral chamado hidroxiapatita, composto principalmente de cálcio e fosfato, mas muitas outras moléculas menores”, explica. “A água vai ajudar na dissolução deste mineral ósseo e, claro, das frágeis proteínas orgânicas que ajudam a unir o osso”

Cassella afirma que ainda pode haver ossos humanos que ainda permaneçam intactos, mesmo depois de 100 anos, mas isso dependeria da acidez da água e dos efeitos dos microorganismos.

“Pode haver muitos ossos deixados, mas eles estão tão dispersos dentro e ao redor dos destroços e cobertos de lodo que seria muito difícil identificá-los”, apontou.

A estrutura do Titanic já se encontra em estado “frágil”, uma vez que bactérias estão consumindo o ferro no casco do navio. Estimativas apontam que o que restou do navio está se deteriorando tão rapidamente que pode desaparecer completamente nos próximos 40 anos.

Arqueólogo marítimo e historiador, James Delgado mergulhou até os destroços da embarcação disse ao DailyMail que ainda pode haver “alguma aparência de restos humanos” no que sobrou do transatlântico de luxo.

“Os cientistas acham que pode ser uma possibilidade, mas esta é uma ciência sobre a qual não sabemos muito, particularmente no fundo do oceano”, disse.

Das 2.224 pessoas a bordo, estima-se que 1.517 morreram assim que o navio afundou, menos de três horas depois de atingir o iceberg. Outras 340 foram encontradas com coletes salva-vidas na superfície do oceano, mas já sem vida. Porém, 1.160 corpos nunca foram encontrados.

Delgado aponta que, nas condições às quais os corpos estão expostos, “até os dentes se dissolvem” após períodos prolongados no fundo do oceano, habitado principalmente por vida microbiana, como bactérias. O pesquisador fez duas expedições aos restos do Titanic, em 2000 e em 2010, classificando o que viu como um “lugar muito sóbrio e poderoso”.

*As informações são da Agência O Globo.

Marcelo Passos

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