Brasil

69% dos beneficiários do Auxílio Brasil não querem crédito empréstimo consignado, mostra pesquisa

Bolsonaro em entrega simbólica do cartão do Auxílio Brasil, que desde 9 de agosto paga R$ 600 a beneficiários Isac Nóbrega/PR/24.02.2022

Uma das apostas de Jair Bolsonaro (PL) para atrair votos da população mais pobre, a oferta de crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil não interessa a 69% das pessoas atendidas pelo programa. De acordo com pesquisa Ipespe divulgada nesta quarta-feira, só 18% dos beneficiários do auxílio dizem que pretendem pegar o empréstimo ou que alguém de sua casa deve fazer essa opção. Outros 13% não souberam ou não responderam à pergunta.

Bolsonaro é hoje o segundo colocado na corrida presidencial, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maior desvantagem do atual presidente em relação ao petista se dá entre os eleitores de baixa renda, em que 29% declaram apoio a Bolsonaro e 51% dizem votar em Lula, também segundo o Ipespe.

A população que ganha menos de dois salários mínimos por mês inclui os 20,2 milhões de beneficiários do Auxílio Brasil, programa criado por Bolsonaro para substituir o Bolsa Família. O governo prorrogou até o fim do ano os pagamentos do benefício e aumentou em R$ 200 o valor médio pago aos inscritos, mas a medida impactou pouco nas intenções de voto em Bolsonaro.

A regulamentação do crédito consignado para esse público se soma ao conjunto de ações focadas nessa parcela do eleitorado. O governo permitirá que instituições financeiras façam empréstimos de até R$ 2 mil para quem recebe o Auxílio Brasil, descontando até 40% do pagamento assim que ele entra na conta do beneficiário. A proposta é alvo de críticas por ter o potencial de aumentar o endividamento de famílias pobres.

Segundo o Ipespe, 63% dos beneficiários do auxílio se dizem informados sobre a liberação dessa modalidade de crédito, enquanto 37% disseram não ter tomado conhecimento sobre o assunto.

O desempenho de Bolsonaro no primeiro turno tem melhorado a conta-gotas quando analisadas as intenções de voto dos mais pobres. Os atuais 29% desse grupo que dizem apoiar a reeleição do presidente eram 28% em julho, antes dos pagamentos do Auxílio Brasil com novo valor. Em abril, 25% declaravam voto no candidato do PL.

O ritmo lento da evolução de Bolsonaro entre os mais vulneráveis é em parte explicado pela percepção que as pessoas têm sobre os objetivos do presidente com o aumento do Auxílio Brasil. Pesquisa Genial/Quaest também divulgada nesta quarta-feira mostra que 63% consideram que a medida visa a “ajudar” o atual chefe do Executivo a se reeleger.

A pesquisa do Ipespe, contratada pela XP, entrevistou 2.000 eleitores entre 26 e 29 de agosto. Nesse grupo, 18% diz que recebe ou receberá pagamentos do Auxílio Brasil, ou mora com alguém que seja beneficiário do programa. A margem de erro geral do estudo é de 2,2 pontos percentuais, para um nível de confiança de 95,5%. A sondagem está registrada junto à Justiça Eleitoral sob o código BR-04347/2022.

Da redação do PortalPE10, com informações são do O Globo

Marcelo Passos

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