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Lançamento de novos CDs de frevo busca renovar o ritmo

Artistas enfrentam dificuldade para propiciar surgimento de novas músicas e atrair o público

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Período marcado por lançamentos de discos carnavalescos, as prévias das folias de Momo colocam no mercado uma série de álbuns de frevo pouco aproveitados pela indústria fonográfica. Independente, com baixa tiragem e pouca divulgação, parte dos novos CDs passa despercebida do grande público. O grupo Som da Terra traçou estratégia para driblar a falta de apoio. Contratou um carro de som para circular pelo Grande Recife oito horas por dia, até 28 de fevereiro, divulgando o novo álbum Nem céu, nem sol, nem mar.

“Falta divulgação. E, se a rádio não toca, o Som da Terra Móvel toca na rua”, contou um dos integrantes, Rominho Pimentel. Nem a Lei Momento do Frevo – instituída para garantir pelo menos duas músicas ao dia nas rádios locais – surte efeito. Sem o caráter punitivo, fica a critério das emissoras escolher a programação. “É muito difícil entrar na faixa FM”, diz o compositor Roberto Cruz. O motivo, alegam diretores das rádios, seria o gosto do ouvinte. “O frevo não é atrativo”, diz um. “São as mesmas músicas”, fala outro.

Não é bem assim. O músico Don Tronxo lança hoje, na Passa Disco (19h), no Parnamirim, álbum com 12 faixas inéditas, o Frevo acústico. Também divulga a participação no CD do Galo da Madrugada, Frevo no Auto do Reino de Ariano, tributo ao escritor. “Os dois trabalhos somam mais de 30 músicas inéditas. No álbum, resgatei o lirismo do frevo tradicional, mas tive coragem de fazer um disco com violão, sax e pandeiro”, frisa Tronxo.

Nas paredes acolchoadas do Estúdio Fábrica, o frevo se renova. “André Rio, Orquestra Contemporânea de Olinda… tem muito músico associando o clássico a uma sonoridade moderna. A linguagem mudou de 2007 para cá, ano do centenário do frevo”, avalia o coordenador de produção Jeff Moura. O CD do I Festival de Frevo da Humanidade foi gravado lá. Dividiram o microfone Dudu do Acordeom e o veterano J. Michiles, vitoriosos na disputa feita pela Prefeitura do Recife em 2013.

Dos 15 contemplados, parte era de veteranos, como Getúlio Cavalcanti, Bráulio Castro e o próprio Michiles, e o restante, rostos menos conhecidos, como Dudu, Bruno Santos e Roberto Cruz. “O frevo não pode perder a essência nem ficar no passado. Há um receio de chegar no Galo e tocar o que não é conhecido. É preciso coragem para renovar”, acredita Cruz. Alceu Valença é apontado como referência de bom contraponto entre clássico e moderno. No novo álbum, Amigo da arte, mescla canções como Voltei, Recife com faixas não lançadas em discos de carreira – Frevo dengoso, com Tronxo.

“Renovação é fazer o que o povo consome. Músicas de Alceu vão tocar por mais 100 anos”, profetiza J. Michiles. Fábio Cabral, da Passa Disco, sente falta de novos intérpretes e compositores: “Vinte anos atrás, o Mangue Beat bebeu do maracatu e do coco… Talvez as novas bandas tenham receio de se apropriar do frevo e achar que se repetem”. O músico Ortinho, que integrou a coletânea Pernambuco frevando para o mundo (2012), tem outra teoria. “Falta afinidade. A rapaziada mais nova faz parte de outro universo musical. A nova geração curte frevo na brincadeira do carnaval”, diz. Se assim for, a renovação dos clarins fica à mercê dos veteranos e apaixonados. Resta torcer por eles.

 

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