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Cotidiano

Homens respondem pior à vacina da gripe, diz estudo

O estudo envolveu 53 Mulheres e 34 Homens com Idades entre 20 e 89 Anos

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Mulheres respondem melhor à vacina contra a gripe do que os homens. Já entre eles, quanto maior o nível de testosterona, menor é a resposta imunológica.

É o que aponta um estudo norte-americano que constatou que altos níveis do hormônio masculino estão associados a um enfraquecimento do sistema imunológico.

“Homens não são tão resistentes como pensam. As mulheres são superiores”, brinca Mark Davis, um dos autores do estudo e professor de imunologia da Universidade de Stanford (EUA).

A descoberta é um importante passo para a compreensão das diferenças imunológicas entre homens e mulheres e de como elas podem impactar nos tratamentos.

Estudos epidemiológicos já haviam demonstrado que as mulheres são mais suscetíveis às doenças autoimunes, como lúpus, e os homens têm menos imunidade para infecções em geral.

“A gente percebe claramente que as doenças infecciosas são mais frequentes em homens. Desde as infecções de ouvido na infância até as pneumonias que demandam internações”, diz o médico Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

O sistema imunológico dos homens também não responde com a mesma força que o das mulheres para as vacinas contra o sarampo, a hepatite e a febre amarela.
Mas os mecanismos envolvidos nesses fenômenos até então eram desconhecidos.

“Nosso estudo é o primeiro a mostrar que, entre os homens, essa resposta imunológica à vacina depende do nível de testosterona e da atividade os genes envolvidos na imunossupressão”, disse Davis, em entrevista à Folha.

EVIDÊNCIA CLÍNICA

O trabalho, feito com 34 homens e 53 mulheres, foi publicado na revista da Academia de Ciências dos EUA, a “PNAS”, no mês passado.

A pesquisa encontrou um dado curioso: homens com baixos níveis de testosterona tiveram uma resposta imunológica melhor à vacina, similar à das mulheres.

Na vida prática, porém, essas diferenças sobre a eficácia da imunização entre homens e mulheres ainda precisam ser comprovadas.

“Uma coisa é a resposta imunológica, a outra o desempenho clínico da vacina. Até o momento, não há estudos mostrando que ela seja diferente para homens e mulheres”, diz Renato Kfouri.

Para ele, o estudo de Davis abre um leque de outras possibilidades, inclusive para uma imunização mais individualizada contra a gripe.

Há uma tendência futura, por exemplo, de determinados grupos populacionais (como crianças, grávidas e idosos) receberem diferentes tipos de vacina.

Pesquisas experimentais feitas em células humanas in vitro ou em animais já tinham levantado suspeitas de que poderia haver uma interação entre a testosterona e a resposta autoimune.

Para Davis, são necessários mais estudos para entender o motivo pelo qual um hormônio responsável por características masculinas ligadas à força está ligado a um sistema imune mais frágil. 

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