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Cotidiano

Esquema corrupto em Jaboatão envolveu 19 dos 27 vereadores

Polícia Civil detalhou, nesta terça (18), a Operação ‘Caixa de Pandora’.

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O esquema de desvio de verbas públicas na câmara de vereadores de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, foi detalhado na manhã desta terça-feira (18) pela delegada Patrícia Domingos, que comanda as investigações. Segundo ela, a maior parte dos 360 cargos comissionados da casa eram funcionários fantasmas, que recebiam entre 10% e 20% dos salários e repassavam o restante para os vereadores a quem estavam ligados.

As investigações da operação “Caixa de Pandora” foram iniciadas há seis meses depois que um funcionário concursado da câmara fez a denúncia sobre o esquema. Dos 27 vereadores do município, 19 tiveram envolvimento na associação criminosa, entre eles, o candidato a prefeito Manuel Pereira da Costa, o Neco, e o candidato a vice-prefeito na chapa adversária e ex-presidente do Náutico, Ricardo Valois.

O esquema funcionava da seguinte forma: os vereadores contratavam qualquer pessoa que aceitasse participar da falcatrua como comissionado. Quando o salário era pago, os ‘funcionários’ entregavam entre 80% e 90% do valor aos vereadores. Os valores variavam entre R$ 1,7 mil e R$ 7,5 mil.

“Era uma moeda de troca. Os vereadores nomeavam as pessoas em troca de parte do salário delas. Muitas dessas pessoas nem pisavam na Câmara. Encontramos gabinetes fechados, outros com uma ou duas pessoas”, explicou a delegada.

Ainda havia outra forma de desviar os recursos. No final do ano, vários dos ‘fantasmas’ eram demitidos pelos vereadores e recebiam os valores de verba indenizatória e proporcional de férias e 13º salário, que da mesma forma, eram repassados aos patrões. Em janeiro alguns eram readmitidos.

“Tem funcionários que são analfabetas e nem sabem assinar. Há pessoas que só estudaram até a 3° ou 4° série. E essas pessoas têm cargo de assessor, com salários de R$ 5.400 mil, assessorando numa elaboração de projeto de lei sem saber ler ou escrever”.

Os 19 vereadores envolvidos fecharam esquema em uma mesa diretora da câmara para aumentar de 279 para os atuais 360 o número de funcionários comissionados. “Quem conhece a câmara de Jaboatão sabe que nem cabem 360 pessoas no prédio. Verificamos que apenas 50 pessoas, entre vereadores, comissionados e concursados circulam por lá diariamente e isso foi um forte indício para que as investigações fossem iniciadas”, explicou Patrícia Domingos.

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