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Cotidiano

BC surpreende e eleva juro para 10,5% ao ano

Alta de 0,50 ponto era esperada apenas por parte dos analistas e ocorre num momento de inflação persistente

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O Banco Central decidiu manter o ritmo de alta dos juros e elevou a taxa básica (Selic) de 10% para 10,50% ao ano. E deixou aberta a possibilidade de promover pelo menos mais um aumento neste início de ano, diante da aceleração da inflação que surpreendeu o governo e o mercado financeiro na semana passada. A piora nos índices de preços será um dos principais temas da próxima eleição e, assim como ocorreu em 2010, a instituição deve interromper o ciclo de aperto na taxa básica antes do período mais acirrado da disputa eleitoral.

A decisão tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom)do BC, que volta a se reunir agora na última semana de fevereiro, foi unânime. Em seu comunicado, a instituição destacou que decidiu por uma elevação de 0,50 ponto porcentual “neste momento”, expressão que deve guiar as apostas para a próxima reunião do comitê.

O mercado estava dividido em relação ao resultado deste Copom. Até a semana passada, a maioria dos analistas esperava que a instituição reduzisse o ritmo de alta dos juros e anunciasse um aumento para 10,25% ao ano. O BC havia sinalizado essa possibilidade no fim do ano passado, depois de promover uma alta de 0,25 ponto porcentual (p.p.) em abril e outras cinco altas seguidas de 0,50 p.p. até novembro.

TOP 10 – Juros reais


Juros nominais descontadas a inflação projetada para próximos 12 meses (em %)

BrasilArgentinaChinaÍndiaHungriaChileGréciaCoreia do SulTaiwanColômbia43210O cálculo dos juros reais é simples: são os juros nominais – no caso do Brasil, a nova Selic de 10% – menos a inflação projetada para os próximos 12 meses. O resultado dessa subtração dá noção dos rendimentos dos investidores numa economia, por descontar a perda de poder de compra estimada sobre os ganhos a serem obtidos.

A divulgação do índice oficial de preços ao consumidor (IPCA) de 2013, na última sexta-feira, no entanto, provocou mudanças nas apostas. Hoje, os juros negociados no mercado por investidores e bancos apontavam o aumento de 0,50 ponto porcentual como mais provável, mas com pequena margem. Entre os analistas de consultorias e instituições financeiras, por outro lado, a maioria esperava pelos 10,25% ao ano.

O IPCA do ano passado ficou em 5,91%, acima do verificado em 2012 (5,84%). O governo passou o ano todo dizendo que não conseguiria trazer o índice para o centro da meta (4,5%), mas prometia entregar um resultado melhor que o do ano anterior. Ao justificar a inflação “ligeiramente acima daquela que se antecipava”, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que a culpa, em grande medida, era do câmbio, da gasolina e do mercado de trabalho. A estimativa da instituição é de um índice de 5,6% em 2014. No mercado, a mediana das projeções é de 6%.

O principal argumento de quem esperava um aumento menor dos juros era a afirmação do BC de que a transmissão dos efeitos das ações de política monetária para a inflação ocorre com defasagens. O Copom começou a elevar a Selic em abril do ano passado, quando a taxa estava em 7,25% ao ano. Desde então, foram sete aumentos seguidos. Outra corrente de analistas avaliava que o aumento maior é justificado pelos dados do IPCA e pelas afirmações da autoridade monetária de que está de “olho na inflação” e que o “objetivo é levar o IPCA para o centro da meta o mais rápido possível”.

 

 

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