Brasil
Publicada em 09/10/2018 às 14h51. Atualizada em 09/10/2018 às 14h51
'Intolerante e agressivo', diz delegada sobre barbeiro que matou mestre de capoeira
Paulo Sergio Ferreira de Santana, 36 anos, esfaqueou vítima que criticou Bolsonaro
Por: Redação PortalPE10 | Fonte: G1


Paulo matou Môa com 12 facadas nas costas, após uma discussão politica / Foto: Marina Silva/CORREIO

Com 1,80 m de altura, voz firme, careca e de cavanhaque, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, tinha se mudado do bairro do Nordeste de Amaralina para a localidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas, em Salvador, há cerca de dois meses.

Pai de dois filhos, foi morar em uma casa alugada ao lado da companheira, que já residia no bairro. Ele disse que não conhecia o homem que matou com 12 facadas pelas costas, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, o Môa de Katendê, após uma discussão política. O caso foi na madrugada desta segunda-feira, 8. A delegada Milena Calmon, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa da Bahia (DHPP), que investiga o crime, descreve o barbeiro como sendo uma pessoa intolerante e agressiva. Por ser novo na região, nenhum morador mais velho o conhecia. Em depoimento à Polícia, Paulo Sérgio disse que nunca havido ouvido falar sobre o capoeirista, que exercia forte influência cultural no bairro, promovendo atividades e sendo, inclusive, uma das principais lideranças do bloco de afoxé Badauê. 

Mas essa não foi a primeira vez que ele foi parar na delegacia. Depois de ser detido, a delegada  encontrou duas ocorrências envolvendo o nome do barbeiro. A primeira, de 2009, quando ele foi vítima de agressão por parte de quatro homens após uma discussão. De acordo com a delegada, à época, ele deu entrada no Hospital Geral Roberto Santos para cuidar de ferimentos. Não se sabe, no entanto, o motivo da briga, nem se ele teria provocado a confusão.

Já em 2014, o barbeiro foi acusado por um adolescente de 14 anos de ameaçá-lo com uma tesoura depois de o jovem pedir R$ 0,50. A vítima procurou a Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) para formalizar a denúncia. Mesmo depois de o caso ser registrado, Paulo Sérgio não foi preso. O registro, explica a delegada, não apresenta muito detalhes sobre o caso.

“No registro temos apenas: o garoto de 14 anos teria sido vítima de agressão física e verbal por parte de Paulo Sérgio. O adolescente teria pedido a quantia de R$ 0,50 para completar o valor do corte cabelo e que isso teria irritado o autor, que passou a agredir verbalmente. O mesmo teria quebrado o seu relógio dizendo ser uma ‘peça barata’ e que ainda teria colocado uma tesoura no seu pescoço. No entanto, não diz, o local onde ocorreu”, diz Milena. 

Já sobre a morte de Môa, para a polícia, Paulo Sérgio disse que, antes de cometer o crime, começou a beber os primeiros copos de cerveja durante a tarde, por volta das 15 horas, quando o cenário político do segundo turno ainda estava sendo decidido nas urnas.

A bebedeira foi até a noite, quando resolveu ir ao Bar do João, estabelecimento que fica nas proximidades do Dique do Tororó. Lá, já por volta da meia-noite, o barbeiro resolveu pôr em discussão com o dono do estabelecimento as propostas do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, segundo testemunhas que estavam no local. 

Tags: Cotidiano, Brasil,
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