Eleições 2018
Publicada em 13/09/2018 às 14h38. Atualizada em 13/09/2018 às 14h38
Audiência cai até 26% durante horário eleitoral nas emissoras de televisão
Obrigadas a exibir a propaganda política, as emissoras abertas podem pedir ressarcimento do horário disponibilizado
Por: Redação PortalPE10 | Fonte: Folhapress


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O horário eleitoral, iniciado no dia 31 de agosto, provocou queda na audiência da TV aberta nas faixas em que é exibido, entre 13h e 13h25 e entre 20h30 e 20h55. Na semana anterior ao início do programa obrigatório, a média no mercado nacional do primeiro horário, às 13h, nas cinco emissora nacionais de maior audiência -Globo, Record TV, SBT, Band e Rede TV!- foi de 32,7 pontos. Já na primeira semana com a propaganda, ela ficou em 24,2 pontos, uma queda de 26%.

Os dados são do Ibope. Cada ponto equivale a 693,7 mil espectadores em todo o Brasil. No horário noturno, entre 20h30 e 20h55, a queda foi menor em valores percentuais. A semana anterior à estreia da propaganda política registrou audiência de 50,9 pontos, somadas as emissoras. Quando o horário eleitoral começou, o número foi a 39,6, uma queda de 22%.

Líder de audiência na televisão brasileira, a Globo registra redução assim que o programa eleitoral surge na tela. Entre a novela das sete "O Tempo Não Para" e o programa, considerando período entre 3 e 8 de setembro, houve queda de quatro pontos. Caiu de 25 para 21 pontos (16%). Na hora do almoço, entre o programa Globo Esporte e a exibição das campanhas para presidente, governador, senadores e deputados, perdeu-se também quatro pontos, queda de 14 para 10.

"Uma queda inicial na audiência durante o horário eleitoral é normal. Mas isso não tira a importância da televisão na eleição", afirma Felipe Borba, cientista político e professor da Unirio. "Historicamente, o interesse pelo horário eleitoral é progressivo. Ao longo da eleição costuma aumentar", completa. Borba argumenta que ainda é grande o número de pessoas no Brasil que tem apenas a televisão como fonte de informação. "Principalmente o eleitor de baixa renda e baixa escolaridade não tem outras fontes de informação", afirma o cientista político.

Na primeira semana com a propaganda eleitoral, as emissoras de televisão aberta perderam participação no share, fatia de audiência em comparação com os canais pagos. Houve um aumento de até 47% na participação nas emissoras da TV a cabo nessa divisão. Os canais da TV paga não exibem os blocos do horário eleitoral nem as inserções de propaganda que entram nas emissoras de televisão aberta.

Obrigadas a exibir a propaganda política, as emissoras abertas podem pedir ressarcimento do horário disponibilizado. A restituição é feita com compensação fiscal, elas deixam de pagar impostos para compensar o horário cedido.

Transmitidos desde o dia 31 de agosto, os blocos do horário eleitoral são exibidos de segunda-feira a sábado. Nas terças, quintas e sábados são transmitidos os programas dos candidatos à Presidência da República e deputados federais. As propagandas de quem disputa vagas de deputados estadual, senador e governador entram nas sextas, segundas e quartas.

Além dos blocos, todos os candidatos têm direitos ainda a inserções de 30 segundas cada nas programações de televisão e rádio. Segundo pesquisa Datafolha, do dia 10 de setembro, 64% dos eleitores afirmaram que assistiram ao horário eleitoral gratuito dos candidatos à Presidência da República. O levantamento aponta também que a maioria da população dá importância ao horário eleitoral para a definição do voto.

Pelo menos 38% dos eleitores afirmam ser muito importante a propaganda obrigatória na televisão. Já 28% dos entrevistados dizem que os programas exibidos são "um pouco importante". Outros 35% dizem não dar importância. 

Quem dá mais relevância aos programas televisivos são os eleitores com grau mais baixo de escolaridade (sobe para 42%), de menor renda (42%) e nas regiões Norte (43%) e Nordeste (46%), segundo o Datafolha. Os eleitores que mais valorizam o horário eleitoral são os que apontam preferência por Marina (47%) e Alckmin (43%), Ciro (40%) e Haddad (40%). Entre os que votam em Bolsonaro, cai para 33%.

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