Paulistão
Publicada em 09/04/2018 às 16h13. Atualizada em 09/04/2018 às 16h13
Juiz fala em 'erro de procedimento', mas nega ajuda externa no Dérbi
Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza diz que não deu entrevistas no domingo por orientação da Federação Paulista
Por: Enzo Gabriel | Fonte: LANCE!


Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, árbitro da final do Campeonato Paulista, admite que houve "erro de procedimento" entre a marcação e a anulação do pênalti para o Palmeiras. Mas ele nega que tenha havido interferência externa e garante que se baseou única e exclusivamente na opinião de seu quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda.

Em entrevista à ESPN Brasil na manhã desta segunda-feira, Marcelo concordou que não foi adequado dirigir-se até o meio de campo instantes depois da marcação do pênalti, mas justificou que tinha ouvido alguém falar "canto" (tiro de canto) no sistema de comunicação e queria saber quem era.

- O procedimento realmente não foi o ideal. Você me pergunta por que fui no meio de campo. Fui para chamar todos da minha equipe para que eu pudesse ouvir. E mesmo indo ao meio de campo, distante dos jogadores, eles não conseguiram me ouvir. Ninguém foi até mim como eu gostaria - explicou.

Imagens de TV mostram que o quarto árbitro, Adriano de Assis Miranda, só vai até o árbitro principal após ser abordado pelo quinto árbitro, Alberto Poletta Masseira.

- A interferência do quinto árbitro é porque ele consegue ouvir que quero falar com o Adriano. Aí ele vai lá e fala: "Adriano, ele quer falar com você". A situação ali é de todo mundo falando comigo, com o assistente, com o quarto árbitro... O quinto árbitro é quem me ouve e fala: "Adriano, vai lá e fala com o Marcelo". O quinto árbitro é o que menos estava sofrendo pressão dos jogadores, por isso ele conseguiu ouvir - explicou Marcelo.

- Eu marquei o pênalti, já estava sacramentado, quando falam "canto" no rádio. Aí eu busco quem estava falando. O quarto árbitro começa a dar explicações para os jogadores do Corinthians e eu não consigo mais ouvir. É muita gente falando ao mesmo tempo. Imagine você na linha telefônica com mais cinco pessoas falando? Você não consegue entender ninguém. O quarto árbitro me passou a informação via rádio. Na cabeça dele, eu tinha ouvido. O quinto árbitro se dirige até ele e fala para ele ir até mim - acrescentou.

Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza diz que não deu entrevistas no domingo por orientação da Federação Paulista. Ele se manifestou por meio da súmula, em que já havia registrado a mudança de opinião após uma conversa com o quarto árbitro, mas sem mencionar a participação do quinto árbitro na decisão. Pela regra, a única função do quinto árbitro é substituir um membro da equipe de arbitragem se houver necessidade.

Embora admita o erro no procedimento, Marcelo se diz tranquilo por não ter marcado o pênalti de Ralf em Dudu.

- Eu não estaria tranquilo se tivesse decidido o campeonato com um erro de arbitragem. Cometi um equívoco (ao assinalar o pênalti). Esse equívoco e o procedimento acabaram causando tudo isso. Fui a pessoa que se equivocou e o procedimento não foi o correto, então estou tentando esclarecer. A orientação era para que não falasse, mas achei importante colocar o que aconteceu.

- Eu tomei a decisão do ângulo que eu tinha. Para mim, tinha sido pênalti. Mas o quarto árbitro tem uma visão lateral e me informa que o toque foi na bola. A visão dele é melhor do que a minha. O importante é acertar a decisão, e nós acertamos - finalizou.

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