Publicada em 10/08/2017 às 15h33.
Emanoel Silveira:A quem “Temer”


Estamos vivendo dias difíceis para o trabalhador, primeiro esfacelaram a CLT acabando com direitos trabalhistas conquistados a duras penas, depois de anos de luta. Concordo que a legislação trabalhista necessitava de algumas adequações à nova conjuntura econômica, no entanto, essa mudança não deveria vir como um trator esmagando tudo que visse pela frente. 

Percebam que foi só o congresso votar a favor da dita “reforma trabalhista que começamos a ver os grandes empresários, sob a condescendência de uma classe política, a oferecer os seus planos de demissão voluntária. Nenhum compromisso com o trabalhador.

Sob o mote da modernização da relação de emprego acabaram com muitos direitos dos trabalhadores. E o que fizemos? Parte da classe trabalhadora acompanhada do movimento sindical, protestou, foi às ruas, conseguiu alguns avanços, mas muito poucos, pois o bojo da reforma foi mantido e o trabalhador foi o único prejudicado. As panelas das varandas gourmet's silenciaram no momento devido do protesto.

Estamos reféns de um governo descompromissado, que diz que vai resolver o problema do desemprego no país, e, ao contrário disso fomenta as demissões nas grandes empresas.

Chegamos ao ponto absurdo em que o negociado passou a ter maior valor que o legislado. Ora, numa sociedade onde temos um empresariado opressor, que obriga, ainda que de maneira velada, seus funcionários a assinarem documentos renunciando direitos, prática combatida eficazmente na Justiça do Trabalho com base na antiga CLT, como poderemos acreditar que o negociado entre patrão e o empregado tenha sido feito sem constrangimento, sem a ameaça da demissão, sem a imposição de força do poder econômico? Já não basta o cadastro negro, mantido na surdina pelos grandes empresários, que prejudicam o trabalhador que ajuizou uma reclamação trabalhista?

A quem “Temer”? Ou melhor, o que “Temer”? O presidente da República vai às Tv's e diz que as pessoas estão aprovando as mudanças, e que os ”avanços” estão sendo apoiados pelo povo. Que avanços são esses? Como podemos considerar a perda de direitos como avanço?

Primeiro acabaram com os direitos trabalhistas, depois vieram a demissões voluntárias. O próximo passo reformar a lei previdenciária e acabar com a aposentadoria do tralhador.

Há muito o que Temer pois já vemos na imprensa que há grande movimentação para votarem a reforma da previdência. Confesso que não entendo esse termo “REFORMA” justamente pelo fato de que o que estamos vivenciando é um verdadeiro “DESMONTE” da legislação e o fim de mais direitos conquistados depois de muita luta da classe trabalhadora.

Senhores políticos, escutem o clamor do povo e procurem proteger aqueles que lhes confiaram o voto. Nenhum direito a menos. Por enquanto é só.

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Por:
Emanoel Silveira

Emanoel Silveira;Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Caruaru;Pós-Graduado em Direito Administrativo e Gestão Pública;Pós-Graduando em Direito Processual Civil pela ESA/PE;Sócio do Escritório Silveira Advocacia e Consultoria Jurídica;Assessor Jurídico do Sinsempal – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais dos Palmares e do SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Água Preta – PE.